Falta de medicamentos ameaça interromper atendimento do HDT
Carlos
Nealdo
A falta de medicamentos e insumos ameaça interromper o atendimento ao público do Hospital Escola Dr. Helvio Auto — o antigo HDT (Hospital de Doenças Tropicais) —, em Maceió. Desde a última sexta-feira, 30 de setembro, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da unidade se saúde já não recebe mais pacientes e os médicos ameaçam parar de trabalhar, caso a situação não seja resolvida.
A falta de insumos já comprometeu também o funcionamento do laboratório do hospital, que precisa dos produtos para realizar uma série de exames dos pacientes internados no Helvio Auto.
O problema, que atinge diretamente portadores de HIV e doenças como tuberculose, zika e chikungunya, entre outras, foi denunciado pelos médicos que trabalham no local ao Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), cujo presidente, Fernando Pedrosa, chegou a se reunir, na segunda-feira, 3, com a direção da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), responsável pela compra de medicamentos e insumos para o HDT.
Na ocasião, os representantes da Uncisal se comprometeram em solucionar o problema do hospital, que atende uma média diária de 50 pacientes. Por meio de assessoria de imprensa, a pró-reitora de Pesquisa e Graduação da Uncisal, Maria do Carmo Borges Teixeira – que responde interinamente pela reitora da instituição – informou que a falta de medicamentos e insumos para o HDT foi gerada por atraso por parte dos fornecedores, mas que o problema já teria sido resolvido. “Hoje a situação já está normalizada”, disse.
Médicos ouvidos pela reportagem – e que não quiseram se identificar – confirmaram a chegada de medicamentos, mas dizem que a quantidade é suficiente para apenas 15 dias. “O problema vai se repetir em duas semanas. Porque eles deixam comprar somente quando falta”, alegam.
Para o presidente do Cremal, a solução do problema não pode ser paliativa. “Abastecimento [de medicamentos e insumos] é um processo contínuo. Não se pode deixar que falta para poder providenciar”, alertou Fernando Pedrosa, que recomenda, inclusive que os médicos parem, caso a situação não seja resolvida.
Segundo ele, além da falta de medicamentos, o Hospital Helvio Auto convive com uma série de outros problemas, entre eles alas fechadas “para uma reforma que nunca acaba”, e pacientes homens e mulheres convivendo numa mesma ala, “quando deveriam estar em ambientes separados”.
A reportagem também procurou o Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde de Alagoas – já que o problema também afeta o desempenho das funções de enfermeiros e técnicos do setor. Entretanto, o presidente da instituição, José Francisco de Lima, disse que o problema não chegou ao seu conhecimento.