Reforma tributária exige revisão de processos gerenciais, comerciais e tecnológicos

A reforma tributária começa a vigorar efetivamente em 2026, mas seus efeitos mais significativos serão sentidos a partir de 2027. Para as empresas brasileiras, isso significa a necessidade de preparação antecipada, diante de mudanças profundas que afetarão sistemas, processos e estratégias de gestão. Um dos principais desafios será a convivência de dois regimes tributários até 2033, em um período de transição que exigirá atenção e planejamento detalhado.
Segundo Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade,a principal armadilha para os empresários seria esperar apenas a orientação da contabilidade. “A contabilidade é fundamental, mas não basta. O empresário precisa compreender as mudanças para tomar decisões estratégicas. Estamos diante de uma transformação estrutural: quem não começar a se preparar agora enfrentará sérios riscos de gestão e competitividade”, alerta.
Domingos aponta três grandes áreas em que as empresas devem focar: Sistemas ERP, Gestão Gerencial e Comercial e Rotinas Administrativas.
1. Gerencial e Comercial – revisão estratégica
Formação de preços e custos: alterações serão inevitáveis devido à incidência do novo imposto.
Levantamento de estoques para créditos presumidos.
Análise de mercado e concorrência: turbulências de preço devem ocorrer, já que cada empresa repassará os novos tributos de forma diferente.
Planejamento tributário: necessidade de revisão entre lucro real, presumido e Simples Nacional.
Impactos no fluxo de caixa com o split payment.
Controle de despesas pessoais dos sócios, que deixam de gerar créditos permitidos.
“As empresas vão ter de repensar como formam preços e custos. O split payment, por exemplo, vai mexer diretamente no caixa: parte do que entra já será automaticamente destinada ao governo. Isso muda toda a lógica de gestão financeira”, ressalta Domingos.
2. Administrativa – revisão de contratos e fornecedores
Análise de gastos improdutivos e materiais de uso e consumo, que passam a gerar créditos.
Renegociação de contratos em função da nova carga tributária (IBS/CBS).
Revisão de contratos com clientes e fornecedores, avaliando quem gera ou não créditos tributários.
Qualificação de fornecedores e clientes: só haverá crédito se o imposto for recolhido na outra ponta.
Treinamento de equipes (comercial, compras, administrativo e faturamento).
“Não adianta olhar só para dentro da empresa. Será necessário revisar contratos, qualificar fornecedores e clientes, além de preparar as equipes para lidar com as novas exigências. A relação comercial muda profundamente, porque o crédito só será válido se o fornecedor realmente recolher o imposto”, alerta o especialista.3. Sistemas ERP – ajustes estruturais
Cadastro de produtos e serviços: novas classificações fiscais serão necessárias.
Plano de contas da contabilidade: adaptação às novas regras de apuração.
Parametrização fiscal, faturamento, compras, custos e tesouraria: ajustes para contemplar o split payment, que afetará diretamente contas a pagar e a receber.
Integrações bancárias (CNAB e API) e obrigações acessórias: precisarão ser reprogramadas para atender ao novo modelo.
“O primeiro impacto prático estará nos sistemas de gestão. Será preciso reconfigurar cadastros, integrações e parametrizações. Não se trata de uma atualização simples, mas de uma verdadeira reconstrução dos processos de faturamento e escrituração”, explica Domingos.
Preparação proativa é essencial
A mensagem de Domingos é clara: esperar a regulamentação completa ou depender apenas da contabilidade não será suficiente. As empresas precisarão agir agora, revisar processos, treinar equipes e ajustar sistemas para reduzir riscos e manter competitividade em um ambiente tributário mais complexo.
“Estamos diante de uma mudança estrutural, que rompe com mais de 60 anos de sistema tributário. Cada decisão tomada hoje terá impacto direto nos resultados de amanhã. O momento de se preparar é agora”, conclui Richard Domingos.
Ascom Confirp