Erro na precificação pode comprometer até 30% do lucro das empresas
Vender muito nem sempre significa lucrar. Em muitas empresas brasileiras, o aumento no volume de vendas não se reflete em crescimento financeiro e, em alguns casos, pode até agravar prejuízos. O problema, segundo especialistas, está na forma como os preços são definidos.
Entre os erros mais comuns está a prática de basear valores no mercado, sem considerar a própria estrutura de custos. Muitos empresários ainda adotam estratégias simplificadas, como copiar o preço do concorrente ou aplicar multiplicadores fixos sobre o custo do produto.
Embora pareçam soluções rápidas, essas abordagens podem ser prejudiciais. Isso porque cada empresa possui uma realidade diferente, com variações em despesas operacionais, negociações com fornecedores e carga tributária. Sem esse entendimento, o preço final pode não cobrir os custos reais.
Fernando Talaia, especialista em gestão empresarial e CEO do método Fórmula Empresarial, explica que a precificação incorreta é um dos principais fatores que comprometem a saúde financeira dos negócios.
“Quando o empresário define preços sem analisar os próprios números, ele perde controle sobre o lucro. Em muitos casos, a empresa vende bastante, mas não gera resultado financeiro efetivo”, afirma.
De acordo com o especialista, um dos conceitos mais importantes para evitar esse cenário é a margem de contribuição, indicador que mostra quanto sobra de cada venda após os custos variáveis e que será utilizado para cobrir despesas fixas e gerar lucro.
“A margem de contribuição é o que sustenta a empresa. Sem ela, o negócio pode até ter faturamento alto, mas não consegue se manter saudável”, explica Talaia.
Outro ponto de atenção está nos chamados “produtos campeões de venda”. Apesar do alto giro, eles nem sempre são lucrativos. Sem uma análise detalhada, o empresário pode estar, na prática, operando com prejuízo.
O cenário se torna ainda mais desafiador diante da complexidade tributária brasileira, que já representa um peso significativo na operação das empresas. Quando a precificação não é feita de forma estratégica, parte do esforço de venda acaba sendo consumida por impostos e custos mal calculados.
Para Talaia, a mudança de mentalidade é essencial. “É preciso deixar de olhar apenas para o faturamento e começar a focar no lucro real. Volume sem rentabilidade não sustenta nenhum negócio no longo prazo”, conclui.
Especialistas reforçam que a precificação estratégica não é apenas uma questão comercial, mas uma ferramenta de gestão. Entender custos, definir margens adequadas e tomar decisões com base em dados são passos fundamentais para garantir a sustentabilidade e o crescimento das empresas.
Fonte: Assessoria