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Mais de 50 estudantes conquistam vagas no Sisu após preparação na Escola Estadual Santos Dumont, em Rio Largo

Com o apoio da Seduc, escola promoveu diversas ações para preparar os alunos | Vitor Hugo e José Demétrio / Ascom Seduc e acervo pessoal

Nalu Ambrózio 

Mais de 50 estudantes da Escola Estadual Santos Dumont, localizada no município de Rio Largo, conquistaram vagas no ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026. Ao todo, foram 56 aprovados, dos quais 53 na Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

O resultado é fruto de um trabalho articulado entre a comunidade escolar e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc), que ao longo do ano promoveu ações voltadas à preparação dos alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

As aprovações contemplam vagas em diferentes instituições públicas – Ufal, Uncisal, Uneal -, em áreas como Direito, Serviço Social e Medicina. Entre os destaques está a estudante Ana Carolina Albuquerque da Silva, que garantiu vaga no curso de Medicina da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), um dos mais concorridos do país.

Entre as estratégias adotadas pela escola estiveram simulados, aulões, acompanhamento pedagógico e atividades focadas no modelo da prova. As iniciativas foram desenvolvidas em conjunto com as políticas educacionais da rede estadual.


Sonho que parecia impossível se torna realidade

Aos 18 anos, Ana Carolina Albuquerque da Silva comemora a aprovação em Medicina após um ano de intensa dedicação. Estudante da Escola Estadual Santos Dumont, vinculada à 12ª Gerência Especial de Educação (GEE), ela conta que durante muito tempo acreditou que alcançar uma vaga no curso seria algo distante.

“Meu desejo de cursar Medicina surgiu há alguns anos, mas eu comecei a falar sobre esse sonho no último ano. Quando conheci o Enem e vi a quantidade de acertos necessários, por muito tempo pensei que seria algo impossível de realizar”, relata.

Segundo ela, os simulados realizados na escola ajudaram a desenvolver agilidade na resolução das questões, especialmente nas áreas de Matemática e Língua Portuguesa. O apoio das professoras também foi determinante ao longo do processo.

“Minhas professoras foram essenciais para o meu resultado. Elas me acompanharam durante todo o ano, tiravam dúvidas e resolviam questões comigo sempre que tinham tempo. Esse apoio foi muito além do conteúdo; elas realmente estavam presentes e me fizeram acreditar mais em mim”, recorda.

A notícia da aprovação chegou de forma inesperada para a estudante. Mesmo após um ano de intensa preparação, ela acreditava que ainda precisaria de mais um período de estudos para alcançar a nota necessária para Medicina, um dos cursos mais concorridos do país. Por isso, quando conferiu o resultado e percebeu que havia sido classificada, a reação foi de surpresa e emoção.

“Quando vi que estava classificada, foi uma sensação muito diferente. Minhas pernas ficaram fracas e eu só sabia sorrir. Liguei para minha mãe e ela entrou em êxtase. Foi um momento muito marcante”, relembra, falando da realização de um sonho que, por muito tempo, acreditou estar fora do seu alcance.

Aprovações refletem esforço coletivo de estudantes e professores

Entre os aprovados também está Weslley Cordeiro de Oliveira, de 18 anos, que conquistou uma vaga no curso de Direito da Ufal. Para ele, a escolha da área está ligada tanto a experiências pessoais quanto à influência do ambiente escolar.


“O Direito sempre caminhou lado a lado comigo, seja por ter outros advogados na família ou por momentos em que precisei recorrer à Justiça. Posso dizer que foi o Direito que me escolheu”, afirma.

Ele destaca que a escola teve papel importante ao incentivar o pensamento crítico e debates sobre questões sociais, fatores que reforçaram sua decisão profissional. Durante a preparação para o Enem, Weslley aponta que o trabalho conjunto entre professores e alunos foi essencial.

“Todos os professores sempre se empenharam para oferecer conteúdo com foco no Enem. Além disso, nós mesmos buscávamos questões de provas anteriores para resolver em sala e tirar dúvidas. Isso fez com que chegássemos à prova muito mais preparados e confiantes”, conta.

A estudante Layza Lawanny Fernandes Barbosa Silva, também de 18 anos, garantiu vaga no curso de Serviço Social da Ufal. Inicialmente, ela pretendia seguir outra carreira, mas acabou se interessando pela área após pesquisar mais sobre o curso.


“De início eu não pretendia cursar Serviço Social, mas as notas de corte para o curso que eu queria estavam muito altas. Pesquisei um pouco sobre a área e achei interessante, então resolvi dar uma chance de conhecer melhor”, explica.

Layza conta que manteve uma rotina ativa de estudos na escola, participando das aulas e simulados. “Eu era muito engajada nas aulas e nos simulados, que ajudavam bastante na preparação. Essa aprovação representa a realização de um grande sonho, porque venho de uma família em que muitos não tiveram a oportunidade de chegar ao ensino superior”, fala.

Estratégias pedagógicas fortaleceram preparação dos estudantes

De acordo com a gestora da Escola Estadual Santos Dumont, Fabiana Verçosa, a preparação dos estudantes foi construída ao longo de todo o ano letivo, com ações pedagógicas específicas voltadas para o Enem.

“Realizamos simulados periódicos seguindo o modelo da prova, para que os estudantes se familiarizassem com o formato das questões e com o tempo de realização. Também promovemos aulões interdisciplinares, especialmente para as turmas de terceira série, revisando conteúdos recorrentes no exame”, explica.

Outro ponto importante foi o acompanhamento mais próximo realizado pelos professores mentores, que ajudaram os estudantes a organizar a rotina de estudos e identificar dificuldades. Segundo a gestora, o apoio da Seduc também contribuiu para fortalecer o foco dos estudantes no exame.

“As ações de mobilização e incentivo promovidas pela Seduc consolidaram o Enem como uma oportunidade concreta de acesso ao ensino superior. Cada aprovação representa muito mais do que um resultado acadêmico. Em muitos casos, esses estudantes são os primeiros de suas famílias a chegar à universidade”, informa Fabiana, que foi gerente especial de Educação no biênio 2019-2021.

Professores destacam dedicação dos estudantes

Para a professora Judy Cavalcante, que acompanhou diretamente a preparação dos estudantes, os resultados refletem o comprometimento da comunidade escolar e o potencial da escola pública.


“Nós trabalhamos com a perspectiva de que é possível ingressar no curso dos sonhos, mas que isso exige treino e constância. Alguns alunos já tinham uma rotina de estudos estruturada, mas, para muitos, esse hábito foi sendo construído ao longo do ano”, relata.

A professora destaca que a rotina incluiu resolução constante de questões, produção de redações e correções individualizadas. Para ela, acompanhar a conquista dos estudantes é motivo de orgulho para toda a equipe escolar.

“É emocionante ver nossos alunos conquistando vagas na universidade federal, nos cursos que desejavam. Esse resultado reafirma que a escola pública é, sim, um espaço de excelência, transformação e oportunidades reais”.

Matemática aliada à prática e ao protagonismo dos alunos

A professora de Matemática Cássia Vanessa, que leciona para as turmas de 3ª série da escola, também acompanhou de perto a preparação dos estudantes ao longo do último ano letivo. Segundo ela, o trabalho pedagógico buscou integrar diferentes estratégias voltadas tanto para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) quanto para o Enem.


A professora destacou que o trabalho foi desenvolvido em parceria com a equipe gestora, coordenação e demais professores. “Conseguimos alinhar os conteúdos ao longo de todo o ano. Eu gosto muito de trabalhar teoria e prática, porque os alunos precisam visualizar como a Matemática acontece no dia a dia. Com o apoio do programa Escola 10, conseguimos desenvolver atividades que trouxeram essa dimensão prática para dentro da sala de aula”, observa.

Para Cássia Vanessa, acompanhar a conquista dos estudantes é motivo de grande satisfação. “Aos alunos que estudam na rede pública, eu sempre digo: quem faz a escola é o próprio estudante. Quando existe dedicação, apoio da família e trabalho conjunto com professores e gestão, é possível mudar histórias e construir novas oportunidades”, orienta.