Imposto de Renda 2026 avança com alta na malha fina e expõe impacto do fim da DIRF no cruzamento de dados
Com o prazo de entrega da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 – ano-base 2025 já em andamento e entrando na segunda metade de abril, especialistas alertam para um aumento relevante no número de declarações retidas em malha fina. O movimento está diretamente ligado ao fim da DIRF e à mudança na forma de envio e cruzamento de informações pela Receita Federal, cenário que tem gerado dúvidas e inconsistências.
A expectativa é que cerca de 44 milhões de declarações sejam entregues até 29 de maio. No entanto, o avanço do período de envio já revela dificuldades práticas enfrentadas por contribuintes e empresas, principalmente neste primeiro ano completo sem a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF) como base anual de consolidação de dados.
Fim da DIRF altera lógica de conferência e aumenta risco de erro
Extinta para fatos geradores a partir de 1º de janeiro de 2025, a DIRF deixa de ser entregue em 2026. Com isso, os dados que antes eram concentrados em uma única declaração anual passaram a ser enviados ao longo do ano por meio do eSocial e da EFD-Reinf.
“O grande ponto de atenção é que agora o cruzamento é feito com base em informações enviadas mensalmente. Como este é o primeiro ano completo sem a DIRF, estão aparecendo inconsistências na consolidação dos dados”, explica Richard Domingos, diretor executivo da Confirp Contabilidade.
Segundo ele, a ausência de uma base anual única tem dificultado a conferência das informações. “Antes havia uma referência consolidada. Agora os dados vêm de sistemas diferentes, enviados em momentos distintos. Isso aumenta significativamente o risco de divergências”, afirma.
Mais declarações já retidas em malha fina
Com o prazo já em curso, especialistas apontam que o volume de declarações com inconsistências tem sido superior ao observado em anos anteriores. A principal razão é a divergência entre informes de rendimentos, dados transmitidos ao longo do ano e as informações efetivamente declaradas.
“Este cenário já está gerando muitas dúvidas e, na prática, já estamos vendo mais declarações caindo na malha fina. Isso ocorre principalmente por diferenças entre informes e os dados que estão no eSocial e na Reinf”, destaca Domingos.
Ele reforça que o problema nem sempre está no contribuinte. “Se houver erro na origem da informação ou divergência entre sistemas, o contribuinte pode cair na malha fina sem identificar imediatamente a causa”, explica.
Pré-preenchida exige cautela redobrada
A declaração pré-preenchida, que neste ano ganha ainda mais protagonismo, também exige atenção. Como é alimentada por dados enviados ao longo do ano, eventuais falhas podem ser automaticamente refletidas na declaração do contribuinte.
“A pré-preenchida facilita, mas neste ano não pode ser utilizada sem conferência. O contribuinte precisa validar rendimentos, retenções, despesas médicas e previdência antes de enviar”, afirma Domingos. O sistema “Meu Imposto de Renda” passou a contar com alertas de inconsistência e novas funcionalidades, mas isso não elimina a necessidade de revisão manual.
Conferência de informes se torna etapa crítica
Mesmo com o fim da DIRF, empresas, bancos e instituições financeiras continuam obrigados a fornecer informes de rendimentos. A diferença é que esses documentos agora são baseados em dados transmitidos ao longo do ano por diferentes obrigações acessórias.
“Se houver desalinhamento entre o que foi informado ao eSocial, à Reinf e o informe entregue ao contribuinte, o risco de inconsistência é alto”, alerta o especialista.
Diante do aumento das retenções, a recomendação é redobrar a atenção, inclusive para quem já enviou a declaração. “A orientação é revisar cuidadosamente todas as informações antes do envio e, após a entrega, acompanhar o processamento. Este tende a ser um ano com maior volume de declarações em malha fina justamente por conta do fim da DIRF e da mudança estrutural no cruzamento de dados”, conclui Domingos.
Ascom Confirp