Mês do Orgulho PCD: André Naves analisa a força econômica e cultural da inclusão
O mês de julho marca uma das mobilizações globais mais importantes para os Direitos Humanos: o Mês Internacional do Orgulho da Pessoa com Deficiência. Instituída originalmente nos Estados Unidos para celebrar a promulgação da histórica lei Americans with Disabilities Act (ADA) em julho de 1990, a data ganha cada vez mais tração no Brasil como um chamado para combater o capacitismo estrutural e repensar o modelo de desenvolvimento social.
Para o Defensor Público Federal André Naves, especialista em Direitos Humanos e Economia Política, o conceito de "Orgulho PCD" ainda precisa ser melhor compreendido e absorvido pelo debate público brasileiro, que historicamente enxerga a pessoa com deficiência pelo prisma da vulnerabilidade e do assistencialismo.
"Historicamente, a sociedade foi moldada para ver a deficiência sob o manto da caridade ou da tragédia pessoal. O Mês do Orgulho PCD subverte essa lógica. Ele afirma que a deficiência é uma das muitas facetas da pluralidade humana. O orgulho, aqui, é um posicionamento político contra um mundo que prefere ignorar ou esconder esses cidadãos", pontua Naves.
Analisando o cenário sob a ótica da economia política, o defensor destaca que a exclusão de pessoas com deficiência dos espaços de decisão e do mercado de trabalho formal representa um prejuízo gerencial e macroeconômico sistêmico. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 16% da população global vive com alguma deficiência significativa - consolidando este como o maior grupo minorizado do planeta.
"Do ponto de vista produtivo, o preconceito é ineficiente. Perde-se inovação, perde-se resiliência e perde-se a capacidade de solucionar problemas sob perspectivas únicas. A acessibilidade não pode ser um puxadinho arquitetônico ou um selo de fachada em relatórios corporativos; ela precisa ser a base estruturante do desenho de novas tecnologias e políticas de desenvolvimento", defende.
O Mês do Orgulho PCD serve como um alerta para que o debate saia dos percentuais frios de planilhas de recursos humanos e passe a focar na dignidade, no desenvolvimento de talentos e na eliminação das barreiras - digitais, físicas e atitudinais - que impedem a participação plena na sociedade.
Ascom Defensor Público Federal André Naves