Fim do emaranhado nos postes de Maceió; empresa promete revolucionar a Internet e o visual urbano da cidade
Por Edmilson Teixeira
A expansão da Internet nas cidades brasileiras trouxe um desafio visível a qualquer um que caminhe pelas ruas: o emaranhado de fios nos postes, o "mexe-mexe" constante de técnicos e o bloqueio da fiação nos conduítes de prédios e residências. Em Maceió, no entanto, uma iniciativa inovadora promete mudar radicalmente esse cenário: a Rede Neutra Alagoana (RNA).
Nascida no seio da Associação de Provedores de Internet de Alagoas (Aspeal), a RNA é um projeto pioneiro no Estado que introduz o modelo de infraestrutura de rede de fibra ótica compartilhada — um conceito moderno, amplamente utilizado na Europa, mas que ainda dá seus primeiros passos no Brasil.
O presidente da Aspeal, Ângelo Rosa (foto acima), explica a mudança de paradigma que o projeto traz para a capital alagoana: “Até hoje, o modelo tradicional da internet funciona assim: cada provedor instala sua própria infraestrutura. Se três empresas atendem a mesma rua, haverá três cabos diferentes, três caixas e roteadores próprios espalhados pelos postes. A RNA surge para reescrever essa lógica.”
Na prática, a RNA opera como uma estrada digital única:
Rede Única de Alta Tecnologia: Trata-se de uma única infraestrutura de fibra ótica sobre a qual múltiplos provedores e operadoras podem trabalhar.
Acesso Aberto: Em vez de cada empresa lançar seus próprios cabos, todas utilizam a mesma fiação da RNA para entregar sinal de qualidade aos clientes.
Praticidade para o morador: o que muda no dia a dia?
Para o cidadão maceioense, a promessa é de mais agilidade e menos transtorno dentro e fora de casa.
Fim do entupimento de tubulações: Em prédios e residências, o cabo da RNA é instalado uma única vez. Não é mais preciso passar novos fios a cada troca de operadora.
Troca de operadora sem técnicos no poste: Se o cliente desejar migrar da "Empresa A" para a "Empresa B", não haverá necessidade de subir em postes ou trocar a fibra que chega até sua porta. O cabo permanece o mesmo — altera-se apenas o sinal digital contratado.
Livre escolha de provedor: O usuário passa a ter a liberdade de contratar seu provedor favorito, mesmo que essa empresa não tenha rede própria naquele bairro ou no Centro da cidade.
Lançado oficialmente durante a Expo Expedição Maceió, o projeto já é uma realidade na parte alta da cidade. A rede está em plena operação em bairros como: Cidade Universitária, Tabuleiro dos Martins, Santa Amélia e Clima Bom
Próximos Passos
O plano de expansão prevê a cobertura de todas as ruas e comunidades de Maceió. O foco principal agora se volta para o Centro da cidade, região que historicamente sofre com o excesso de cabeamento e que recentemente passou por processos de limpeza urbana.
“Para garantir a qualidade, a segurança e a regulamentação do projeto, a Aspeal atua como o órgão regulador da rede neutra. Apenas empresas sérias, devidamente registradas e associadas à Aspeal, podem utilizar essa infraestrutura, assegurando que a tecnologia chegue ao cidadão de forma organizada, ética e eficiente”, garante Ângelo Rosa.
A força dos provedores locais em Alagoas
A consolidação da RNA fortalece um setor crucial para a inclusão digital no Estado. Dados da Aspeal revelam a dimensão do impacto dos pequenos e médios provedores de banda larga:
70% do mercado: Os provedores regionais — a chamada "internet de bairro" — correspondem à maioria do mercado de banda larga em Alagoas.
Economia aquecida: Só em Maceió, o setor mobiliza cerca de 200 empresários e atende aproximadamente 250 mil usuários.
Alcançando as periferias: A atuação dessas empresas leva conectividade para grotas e áreas periféricas, somando uma fatia de mercado que alcança cerca de 2 milhões de usuários em todo o Estado.
Além do alcance, o modelo dos pequenos provedores se destaca pelo custo-benefício. Atuando predominantemente com fibra ótica, essas empresas oferecem pacotes completos (internet de alta velocidade, telefonia e TV por assinatura) com preços médios entre R$ 50 e R$ 60, contra valores que variam de R$ 100 a R$ 150 praticados por gigantes nacionais do setor.
Com informações da Assessoria