Cabeça de mero taxidermizada será utilizada para educação ambiental
Manuella Soares
Após permanecer por vários meses congelada, a cabeça de um mero (Epinephelus itajara), espécie classificada como criticamente ameaçada de extinção, foi taxidermizada e será utilizada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) em atividades de ensino, pesquisa, extensão e educação ambiental na Unidade Penedo.
O animal, com 2,1 metros de comprimento, foi encontrado morto e encalhado no litoral norte da Bahia, em 2025. Devido ao seu grande porte, foi possível recolher apenas a cabeça, que pesava mais de 40 quilos e ficou inicialmente armazenada na base do Projeto Tamar, em Arembepe, na Bahia.
A preservação da peça foi viabilizada por uma parceria entre a Ufal Penedo, o Projeto Meros do Brasil e o Projeto Tamar. Depois de transportada para Alagoas, a cabeça permaneceu conservada em condições adequadas até a realização da taxidermia pelos profissionais alagoanos Neves e Valdício.
Em breve, o material será exposto no Centro de Cultura e Extensão Universitária (CCEU), localizado no Centro Histórico de Penedo. Além da visitação pública, a peça será utilizada em aulas dos cursos de Engenharia de Pesca e Licenciatura em Ciências Biológicas e em atividades do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais (PPGCiAmb).
Para o professor da Ufal Penedo e coordenador do Projeto Meros do Brasil em Alagoas, Cláudio “Buia” Sampaio, as dimensões da peça devem despertar a curiosidade de estudantes, moradores e turistas.
“A cabeça permitirá ao público ter uma dimensão das proporções que um mero pode alcançar, aproximando a sociedade de uma espécie emblemática e ameaçada de extinção, que ainda resiste no litoral alagoano, incluindo a foz do rio São Francisco”, afirmou.
Segundo o professor, indivíduos desse tamanho são raros na natureza, reforçando o valor científico e educativo do material. A peça também vai contribuir para ações de sensibilização sobre a preservação das espécies ameaçadas e dos ambientes marinhos dos quais elas dependem.

“A coleta, o transporte, a conservação e a preparação só foram possíveis graças à articulação de diferentes parceiros. Além de seu potencial educativo, esse exemplar ajuda a mostrar à sociedade a importância de conservar a biodiversidade marinha”, destacou Sampaio.
A iniciativa mostra, ainda, a integração entre universidade, projetos de conservação e profissionais especializados, além de destacar a atuação da Ufal no interior, aproximando a produção científica e as ações de conservação da população.
“É um exemplo de como a Ufal Penedo, por meio do ensino, da pesquisa e da extensão, pode transformar o encalhe de um peixe morto em uma ferramenta de educação e conservação”, concluiu o professor.