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Financiamento de carros seminovos bate recorde em 2025

| iStock/ Philipp Berezhnoy

O mercado automotivo brasileiro vive um paradoxo em 2025. Os juros de financiamento estão entre os mais altos da década, mas o número de contratos firmados para aquisição de veículos segue em crescimento.

A tendência mostra que, apesar do crédito caro, o brasileiro continua buscando alternativas para garantir mobilidade, e encontra nos seminovos uma opção mais viável.

Brasil registra 5,3 milhões de veículos financiados em nove meses

De acordo com levantamento divulgado pelo portal AutoPapo, em outubro de 2025, com base em dados da B3, o país registrou 5,321 milhões de veículos financiados entre janeiro e setembro de 2025, alcançando o maior volume de operações desde 2011. Desse total, 3,39 milhões (64%) correspondem a automóveis seminovos, enquanto 1,93 milhão são novos.

Ainda segundo a publicação, o número representa um crescimento de 0,6% em relação ao mesmo período de 2024, confirmando a força do crédito automotivo mesmo em um cenário de juros elevados.

O aumento reflete a manutenção da demanda por transporte próprio e a capacidade de adaptação do consumidor, que ajusta o tipo de compra ao orçamento disponível. Embora os veículos zero-quilômetro continuem atraindo interesse, o peso do preço final e das taxas de financiamento faz com que os seminovos dominem o mercado.

Juros altos, crédito ativo

Segundo dados do iDinheiro, a taxa média mensal para financiamento de veículos gira em torno de 2,25%, o que equivale a, aproximadamente, 28% ao ano. Além disso, o levantamento mostra que o Custo Efetivo Total (CET) pode variar de forma significativa, conforme o perfil do comprador, o prazo e o valor da entrada.

Outro estudo divulgado pela B3 e reproduzido pela IstoÉ Dinheiro, em maio de 2025, apontou que a taxa média anual de financiamento de automóveis chegou a 28,6% em março de 2025, frente aos 25,4% registrados em 2024. Ainda assim, o número de contratos cresceu, contrariando a lógica de retração do consumo em períodos de crédito caro.

Esse movimento indica que o crédito automotivo continua atraente para parte dos consumidores, especialmente porque, ao financiar um carro de valor menor, o impacto dos juros sobre o orçamento é proporcionalmente reduzido.

Por que os brasileiros preferem seminovos

O avanço do segmento de seminovos resulta de fatores tanto econômicos quanto comportamentais. Conforme reportagem do InfoMoney, o mercado de carros usados cresceu 7% no primeiro bimestre de 2025, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Entre as principais razões para essa escolha, estão:


- Preço mais acessível: veículos com poucos anos de uso custam significativamente menos que os novos, o que reduz o valor financiado.

- Menor depreciação: o seminovo perde menos valor de revenda nos primeiros anos.

- Custos fixos menores: impostos, seguro e manutenção costumam ser mais baratos em relação aos carros zero-quilômetro.

- Acesso ao crédito: mesmo com taxas altas, o financiamento ainda é o meio mais viável para quem precisa de um veículo rapidamente.

Ainda, o InfoMoney destaca que o consumidor brasileiro busca cada vez mais equilíbrio entre custo, qualidade e rapidez na aquisição.

No meio desse contexto, o mercado de carros seminovos tem atraído cada vez mais brasileiros que buscam alternativas ao alto custo dos veículos 0km. Esse comportamento ajuda a explicar por que o segmento mantém crescimento constante, mesmo diante do aumento das taxas de financiamento.

O paradoxo do recorde em meio a juros altos

O recorde de 2025, de acordo com o AutoPapo, revela que, mesmo com juros médios de 28,6% ao ano, o financiamento de veículos aumentou, porque o valor médio das operações diminuiu – reflexo da preferência por automóveis mais baratos.

Outro fator é a demanda por mobilidade individual, que se mantém alta. Fora dos grandes centros urbanos, o carro ainda é uma necessidade básica, e o financiamento surge como uma das poucas alternativas viáveis.

De acordo com a B3, o financiamento de automóveis em prazos superiores a 48 meses cresceu mais de 10% no primeiro semestre de 2025. O alongamento dos prazos reduz o valor das parcelas, facilitando a compra mesmo em um cenário de crédito caro.

Segundo simulação apresentada pela IstoÉ Dinheiro, um carro de R$ 100 mil, com entrada de 20% e financiamento em 60 meses a 28,6% ao ano, teria custo total próximo de R$ 150 mil, somando entrada e parcelas. O exemplo dimensiona o impacto real do crédito no orçamento familiar e reforça a importância do planejamento financeiro.

Logo, os dados mostram que o Brasil vive um ciclo de crédito automotivo atípico, em que o número de financiamentos cresce mesmo com juros historicamente altos. O comportamento reflete tanto a importância do carro na vida cotidiana quanto a capacidade de adaptação do consumidor.

Nesse cenário, os carros seminovos consolidam-se como protagonistas, representando uma alternativa econômica diante do encarecimento dos modelos zero-quilômetro e das restrições impostas pelo crédito caro.

Fonte: Assessoria