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Consumo de ultraprocessados acende alerta para doenças crônicas

Nutricionista explica impactos no organismo e orienta como identificar produtos no rótulo | Assessoria

Por Algo Mais Comunicação Corporativa

No Dia Nacional da Saúde e da Nutrição, celebrado em 31 de março, especialistas reforçam o alerta para os riscos associados à presença crescente de ultraprocessados na dieta da população. A praticidade, aliada à rotina acelerada, tem impulsionado mudanças no padrão alimentar e provocado impactos diretos na saúde.

A nutricionista Lorena Borges, da Unimed Maceió, descreve esses itens como “formulações industriais feitas inteiramente ou majoritariamente de substâncias extraídas de alimentos ou sintetizadas em laboratório” e ressalta a presença frequente de aditivos, como corantes, aromatizantes e emulsificantes. “Se houver cinco ou mais ingredientes no rótulo que você não reconhece ou não usaria em casa, a exemplo de gordura vegetal hidrogenada e realçadores de sabor, podemos considerar que é um ultraprocessado”, afirma.

De acordo com a profissional, estudos científicos já associam a ingestão frequente desses produtos a uma série de agravos. “Está relacionada ao aumento significativo de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes tipo 2, depressão e até alguns tipos de câncer”, pontua. Ela explica que os efeitos decorrem de fatores como a hiperpalatabilidade, que “vicia o paladar”, a baixa densidade nutricional e a alta carga glicêmica, combinação que favorece excessos e dificulta a regulação do apetite.

Lorena também chama atenção para evidências recentes que ampliam a preocupação. “A ciência indica que não existe uma dose segura ou isenta de risco, pois o dano é cumulativo e inflamatório”, alerta. Para ela, o cenário é agravado pelo ambiente obesogênico. “Vivemos uma rotina de ‘fome de tempo’, em que a indústria vende a conveniência como solução”, observa, ao destacar ainda a distorção de preços, que favorece opções com “calorias vazias”, enquanto alimentos frescos costumam ser mais caros.

Nem todo industrializado é vilão

Apesar dos riscos, a nutricionista faz uma distinção importante entre ultraprocessamento e formas de processamento que preservam a qualidade nutricional. “É preciso diferenciar o que contribui para a segurança e conservação do que reduz o valor nutricional. A regra de ouro é: menos é mais. Se a lista de ingredientes é curta e compreensível, pode compor a dieta”, resume. Entre os exemplos, cita vegetais e frutas congeladas, conservas simples, atum, iogurte natural e grãos como arroz, feijão e aveia.

Para melhorar os hábitos alimentares, ela sustenta que o foco deve ir além de dietas restritivas. “O segredo não é dieta, é logística. A desorganização é a nossa maior sabotadora”, afirma. Entre as estratégias, recomenda cozinhar em maior quantidade e congelar porções para facilitar a rotina. Outra orientação prática é a “regra do prato”: metade com vegetais, 25% com proteínas e 25% com carboidratos da base alimentar, como arroz integral ou tubérculos. “Trocas simples também ajudam, como substituir sucos industrializados por água saborizada e biscoitos por frutas com aveia”, sugere.

A hidratação também exige atenção. “Muitas vezes, confundimos fome com sede”, alerta. Segundo ela, o ideal é calcular a ingestão de água de forma individualizada, considerando cerca de 35 ml por quilo de peso corporal.

Acesso e informação

Lorena defende que a mudança de hábitos depende de dois fatores centrais: acesso e informação. “Sem acesso ao alimento de verdade, a informação é frustrante; sem informação, o acesso é mal aproveitado”, afirma. Ela também ressalta a importância de políticas públicas que incentivem feiras livres, hortas comunitárias e o barateamento de alimentos in natura. “A população precisa aprender a ler rótulos e entender o que está consumindo”, ressalta.