Entre vozes, silêncios e memória: ALANE Alagoas homenageia a acadêmica Madalena Oliveira
Entre memória, afeto e saudade, a Academia de Letras e Artes do Nordeste, Núcleo Alagoas prestou homenagem à Maria Madalena de Oliveira Cunha. O encontro, conduzido pela presidente Nara Núbia de Melo Sá, reuniu integrantes da ALANE Alagoas e convidados na reitoria do IFAL, na Jatiúca, na terça-feira, 5 de maio, em tributo à acadêmica, falecida no último dia 27 de abril.
Logo no início, Nara Sá convidou todos para um minuto de silêncio. “É o silêncio que revela a dimensão da perda”, disse. Em seguida, reconheceu a importância de Madalena para a instituição: “Cabe-me reconhecer publicamente seu valor, que ajudou a sustentar e enriquecer esta casa. Sua passagem por esta Academia fez parte da nossa história.” À família, prestou solidariedade.
As palavras de Jorge Luiz Soares, presidente da Academia Maceioense de Letras, desenharam um retrato quase lírico da homenageada: “A notícia de sua partida caiu como um véu de melancolia sobre Alagoas. Madalena era um fenômeno de sensibilidade, um sopro de arte que atravessava corpos e alcançava almas.” Natural de Porto Calvo, ela parecia carregar em si a essência do próprio chão. “Chamá-la de voz de ouro de Alagoas nunca foi exagero, foi reconhecimento”, afirmou.
E então vieram as vozes e a música — porque falar de Madalena era, inevitavelmente, cantar. Inês Gama reviveu os ensaios, as horas compartilhadas e, com emoção, interpretou uma das primeiras músicas que Madalena cantava. Jailton Balbino, amigo e parceiro de palco, lembrou: “Estou aqui porque ela me trouxe. A música estava nas veias dela. Fizemos uma canção juntos: Amizade.” E cantou algumas das canções preferidas de Madalena.
O tenor e afilhado musical Franck Constancio deu voz à herança que recebeu: “Eu jamais pensaria em ser cantor. Quando ela me ouviu, disse: ‘sua voz precisa ser ouvida’. E foi.” Adélia Magalhães trouxe à tona lembranças de palcos divididos, viagens e risos, antes de emocionar o público com interpretações de Ave Maria e Gente Humilde. Cada canção parecia costurar o invisível, emocionando os presentes.
O acadêmico Clesivaldo de Moraes recordou ensinamentos e leveza: “Aqui ficaram sua alegria e sua forma de ver a vida.” E, como quem atende a um pedido antigo, declamou Gogó da Ema, poema que Madalena desejava ouvir. Moézio de Vasconcelos, presidente da FALACCAL, relembrou a importância de Madalena nas academias que integrava e refletiu sobre a impermanência: “Tudo passa, tudo se esvai. Somos locatários deste mundo, à mercê do locador, Deus.”
Houve ainda mais poesia e declamações: um acróstico oferecido por Socorro Mendes; versos escritos por Verônica Galvão e declamados por Fátima Soriano; e memórias espontâneas, como a de João Bosco, que, ao vê-la cantar pela primeira vez, se surpreendeu: “Que baixinha incrível.”
A acadêmica Lyzette Carvalho traduziu o sentimento coletivo com delicadeza: “Mada deixou um grande legado. Um jardim florido de amigos, cultura, sabedoria e de um caráter intocável.” Familiares presentes às homenagens, Maria Lúcia de Oliveira, irmã de Madalena, resumiu em poucas palavras aquilo que muitas vezes escapa: “É a vida.” Já o filho, Carlos Eduardo de Oliveira Cunha, agradeceu: “Obrigado a todos vocês pelas homenagens à minha querida mãe. A vida dela era o canto e a educação, e esta homenagem representa bem como ela viveu.”
Francisco Silvestre, representante do Observatório do Idoso em Alagoas, relembrou um evento recente, no Dia da Mulher: “Ela fazia os jovens gostarem de ouvir músicas antigas.” E anunciou um tributo à artista, marcado para o próximo dia 9, às 19h, no Parque da Mulher — mais um gesto para manter viva a memória de Madalena Oliveira.