No Dia das Mães, Ronda no Bairro homenageia colaboradoras que se dividem entre o trabalho e o cuidado com os filhos
Marco Aurélio Mello
Ser mãe já é, por si só, uma jornada de amor e renúncias, diz a sabedoria popular. Quando a rotina profissional inclui enfrentar as ruas para proteger a população, o desafio se multiplica. Neste Dia das Mães, o programa Ronda no Bairro, da Secretaria de Estado da Prevenção à Violência (Seprev), destaca três exemplos de colaboradoras que viveram ou vivem essa dupla jornada, transformando-a em lição de vida: as sargentos Maria de Lourdes Santos, Michelle Gracielle Ferreira e Pauliane Souza Leal Costa. Cada uma, à sua maneira, são exemplos de que é possível cuidar dos filhos e, ao mesmo tempo, estender esse cuidado a toda uma comunidade.
Com oito anos de atuação no Ronda no Bairro, a sargento da reserva da Polícia Militar de Alagoas, Maria de Lourdes Santos, conhece bem a dificuldade que é cuidar dos filhos e ser uma profissional da segurança pública. Mesmo com as duas filhas já adultas, ela não esquece do quanto teve que conciliar trabalho e ser mãe para garantir a formação e educação das crianças e a vida de militar nas ruas. Hoje, no Ronda no Bairro, trabalhando de 15h às 23h, ela conta que a preocupação era constante e, por isso, sempre que podia ligava ou passava em casa para saber como estavam as coisas.
“Mesmo agora, ainda faço isso, telefono para elas para saber se tudo está bem. Continuo sendo muito próxima”, afirma. O segredo, segundo a sargento, foi organizar bem o tempo livre para garantir presença constante: acompanhar os deveres da escola, criar momentos de lazer e fortalecer o convívio em família. “Sempre tentei ser um exemplo para elas. Uma mulher que nunca se descuidou do papel de mãe, mas também se dedica, ainda hoje, a outras pessoas, combatendo a criminalidade e sendo útil à sociedade”, destaca.
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A experiência da sargento Lourdes é vivida diariamente por outras mamães policiais. A sargento PM Michelle Gracielle Ferreira, com vinte anos de corporação e um ano no Ronda, sente na pele a ausência em casa. A filha única, de 13 anos, vive uma fase delicada de transição entre infância e adolescência. Dividindo-se entre o serviço na PM pela manhã e o Ronda à tarde, Gracielle tem pouco tempo livre. Mas, esse tempo, garante, é inteiramente da família.
“Sempre que posso, me dedico integralmente a ela, para que não sinta minha ausência. Acompanhar cada momento é necessário, mesmo sendo difícil”. Ela reforça que a maternidade mudou sua forma de encarar a vida, dando-lhe mais força, empatia e responsabilidade. Qualidades que leva para as ruas, seja fardada pela PM ou atuando como agente de proximidade.

Outro exemplo de dedicação é a sargento do Corpo de Bombeiros Militar, Pauliane Souza Leal Costa. Com quase 20 anos na corporação e cinco no Ronda no Bairro, ela é mãe de dois filhos, um de 14 anos e outro de 6. “O trabalho é intenso, mas motivador, porque está em mim gostar de ajudar os outros. Por isso, sou bombeira e estou no Ronda”, afirma. Para Pauliane, contar com o apoio do marido faz toda a diferença na rotina. “Se há algum sacrifício para mim, a compensação vem em saber que estou formando duas pessoas da melhor forma possível.” Seu maior objetivo, diz, é ser exemplo. “Espero que, com meus ensinamentos, eles cresçam valorizando as pessoas, sabendo respeitar e sendo úteis. Tenho certeza de que estou no caminho certo".

Diante dos exemplos, o Ronda no Bairro lembra que a segurança e a prevenção também se constroem com afeto, dedicação e exemplo. E essas três mães mostram que é possível, sim, cuidar da cidade sem deixar de cuidar de casa.