Maternidade e Educação: quando o amor de mãe inspira e transforma vidas no ambiente escolar
Ana Paula Lins e Manuella Nobre
Guiadas por um amor maior, capazes de trilhar os maiores obstáculos em prol de acertar e levar seus filhos aos caminhos mais leves, seguros e com as melhores oportunidades, cada mãe, leva, em sua bagagem, as lições, experiências e memórias vividas. Entre laços e lições, histórias entre mães e filhos também são construídas entre os muros das escolas da rede pública estadual.
Nesta reportagem especial em comemoração ao Dia das Mães, conheceremos as histórias de Arly, Maria e Mônica, que levaram o cuidado materno ao ambiente escolar, fazendo da escola o seu segundo lar. E de Rosa, que confiou à rede estadual a formação de seu filho em uma tradição que se perpetua há décadas.
Inspiração vem de casa
Pedagoga de formação, a professora Arly Rijo faz da inclusão a sua missão diária. Seja na Escola Estadual Professor Theotônio Vilela Brandão ou no Centro Wandette Gomes de Castro, ela atua no Atendimento Educacional Especializado (AEE) de estudantes com deficiência e desenvolve projetos que vão desde clubes de xadrez a exposições artísticas em ações que integram e mobilizam todo o ambiente escolar. E a inspiração para a profissional que hoje exerce veio de casa, mais precisamente de sua mãe Maria Tenório da Silva.
“Desde cedo, minha mãe me ensinou a importância da Educação, da perseverança, da dedicação. Inicialmente, busquei outra formação, mas vi que não era o que queria e, por isso, assim como ela, abracei a carreira de pedagoga. E ela é uma das minhas maiores incentivadoras, costuma dizer que é a avó dos meus alunos. Fico muito feliz por compartilhar este vínculo com a minha mãe de amor à Educação, de transformar vidas e de contribuir para uma sociedade melhor”, destaca Arly.
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Maria, ou “vovó Socorro”, como carinhosamente é chamada pelos alunos de Arly, é servidora aposentada do Estado e sempre viu na Educação uma ferramenta para mudar vidas. E as lições que transmitiu em casa, fez questão de compartilhar com cada um de seus estudantes. “O aluno passa boa parte do dia conosco, então a escola acaba se tornando uma segunda casa, e a professora, uma segunda mãe”, observa. Sobre a decisão da filha de seguir a sua carreira, ela esbanja orgulho. “Arly é muito apegada a seus alunos e seu trabalho é elogiado onde quer que passe. Sou muito grata por ela ter decidido trilhar o caminho do magistério”, declara.
Tradição de família
Poder acompanhar tão de perto o desenvolvimento da vida escolar e até social do filho foi um presente para Rosa Elizabeth Martins, mãe de João Pedro Brasileiro. Ela é uma das responsáveis pela infraestrutura e manutenção escolar, ele,estudante da 1ª série do ensino médio. A história dos dois é escrita e reescrita, dia a dia, entre respectivas atividades na Escola Estadual Doutor José Maria Correia das Neves, no bairro do Prado, em Maceió.
Mas este laço de amor, confiança e cuidados entre mãe e filho e a escola não é de hoje, faz décadas. Na verdade, repassada entre gerações. A mãe de Rosa, dona Petrúcia Martins, foi supervisora escolar na mesma unidade, e também seu pai, seu Ramilton Galdino, estudante. Lá também estudaram seus irmãos Ramildo e Regina Martins, e, por último, sua filha mais velha, Thayná, concluinte do ensino médio em 2018. “Esta escola tem história em nossa família, uma história de amor”, relata Rosa, enquanto passa um filme na sua cabeça.
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Rosa revela a sua rotina a de João Pedro na instituição de ensino e conta que a decisão de matriculá-lo não é só parte de uma tradição familiar, mas reflete também a confiança em uma equipe que conhece.
“Quando ele está chegando, eu estou saindo, a gente só se vê à noite. Por isso, decidi colocá-lo aqui, pois conheço os professores, os alunos, a coordenação. Eu me sinto mais segura por tê-lo aqui na Correia, aqui é uma família para mim”, enfatiza.
O olhar materno transformando vidas
Josefa Mônica Vieira Bezerra é professora de língua portuguesa e, há 22 anos, atua na Escola Estadual Almeida Cavalcanti, em Palmeira dos Índios. Na instituição, já ocupou a função de gestora adjunta de 2013 a 2016 e gestora geral de 2017 a 2023. Por ela, passaram diversas gerações de palmeirenses a quem transmitiu o poder transformador do conhecimento e para quem se tornou referência de profissional e ser humano.
“Estou na Almeida desde 2005 e aqui aprendi a ser uma professora melhor e uma mãe melhor. A escola é um laboratório vivo onde cada emoção nos ensina e, a cada dia, o convívio com os estudantes faz de mim uma pessoa mais humana, mais mãe. O que quero para meus filhos, também quero para meus alunos e, quando necessário, também cobro, dou conselhos. Não existem duas Mônicas, uma dentro e outra fora da escola. Meu pensamento é esse: ser melhor todos os dias para construir uma sociedade melhor na pessoa de cada estudante”, conta Mônica.
O olhar maternal faz com que Mônica acompanhe e vibre com as conquistas de cada estudante. Ele também a inspirou a desenvolver projetos onde o lúdico aflora o potencial e o talento dos jovens. É o caso do clube do crochê que começou como um hobbie e relaxamento entre as alunas se tornou pesquisa financiada pelo Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) e, recentemente, chamou a atenção até da Shopee. Em março, as estudantes que integram o clube participaram de uma formação do programa Alagoas feita à Mão, gerido pela Secretaria de Estado de Relações Internacionais (Serfi), em parceria com a plataforma de comércio eletrônico e emitiram suas carteiras de artesãs, o que abre portas para a profissionalização das jovens assim que terminarem o ensino médio.
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Estudante da 3ª série do ensino médio, Samara Victória integra o Clube de Crochê, coordenado por Mônica, e fala como as ações da professora impactam a sua vida e a de suas amigas. Segundo a jovem, o amor, a dedicação e o cuidado transmitidos pela professora em cada lição fazem com que Mônica seja uma referência para as suas vidas.
“Existem professores que ensinam com o livro e existem professores que ensinam com o coração. A Mônica faz os dois com uma perfeição que nos encanta. Ela é o nosso porto seguro, nos incentiva não apenas a tirar boas notas, mas a sermos pessoas melhores, acreditando na gente quando muitas vezes duvidamos da nossa capacidade. Ela é o conselho na hora certa, o puxão de orelha necessário e o abraço que acolhe. Ela não marca apenas nossos boletins, mas também as nossas vidas”, afirma Samara, emocionada.