Alagoas leva ancestralidade, cultura popular e participação ativa à 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura
Daniel Borges
A cultura alagoana marca presença na 6ª Teia Nacional dos Pontos de Cultura, realizada em Aracruz, no Espírito Santo. Com representantes de diversas regiões do estado, Alagoas participa das plenárias, debates e atividades que reúnem agentes culturais, mestres da cultura popular, coletivos, povos tradicionais e gestores públicos de todo o Brasil.
A cerimônia de abertura realizada nesta quinta-feira (21) contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra da Cultura, Margareth Menezes, além de representantes culturais de todas as regiões do país.
Durante a solenidade, o Governo Federal assinou o decreto de reestruturação do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC), a criação da Política Nacional para as Culturas Tradicionais e Populares e as portarias que regulamentam a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares e o Programa Festejos Populares do Brasil.
“É uma alegria imensa ver de perto a força e a resistência dessa teia tecida a tantas mãos. Essa teia tecida com tanto esmero pelos ancestrais, pelos mestres e pelas mestras da cultura popular que vieram depois, e por todas e todos vocês que acrescentam mais e mais fios a esse novelo de tantas linhas e tantas cores. Uma teia que reverencia o passado, abraça o presente e aponta para o futuro do Brasil que estamos tecendo juntos todos os dias, fio por fio”, afirmou o presidente Lula durante a cerimônia.
“A educação nos ensina, mas a cultura nos faz revolucionários. Nós, brasileiras e brasileiros, somos admirados no mundo inteiro pela nossa cultura. Pela nossa extraordinária capacidade de transformar a essência brasileira em música, literatura, teatro, dança, cinema, artes visuais”, prosseguiu Lula.
O Auditório Raiz, no Sesc Praia Formosa, recebeu mais de duas mil pessoas e foi ocupado por representantes das culturas populares de todo o país. No palco, grupos como Guerreiros Tupinikim e Aguidavi do Jeje participaram das manifestações artísticas da abertura, enquanto a cantora Luedji Luna interpretou o Hino Nacional acompanhada por grupos instrumentais tradicionais.
Um dos momentos de destaque para os alagoanos na abertura foi a entrada da mestra do Patrimônio Vivo de Alagoas, Vânia Oliveira, que conduziu o estandarte do estado diante das delegações nacionais. Ao lado de representantes culturais de todo o Brasil, ela levou para a cerimônia elementos da identidade, da ancestralidade e das tradições populares alagoanas.
“Nunca imaginei viver um momento tão bonito representando a cultura do nosso estado. Entrar com o estandarte de Alagoas diante de tantas pessoas e ao lado de mestres e mestras de todo o Brasil foi emocionante. A cultura popular segue viva porque o povo mantém essa chama acesa todos os dias”, afirmou Vânia Oliveira.
Representando a Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa de Alagoas (Secult), o superintendente de Economia Criativa, Fomento e Incentivo à Cultura, Wyllyson Santos, responsável pela coordenação das ações da Cultura Viva em Alagoas, participou das discussões sobre políticas culturais, fóruns e articulações da rede Cultura Viva.
Para Wyllyson Santos, a abertura da Teia Nacional simboliza um momento importante para a Cultura Viva em todo o país, especialmente pelas entregas anunciadas durante a cerimônia.
“A abertura da Teia mostrou a dimensão e a força da Cultura Viva no Brasil. As entregas anunciadas pelo Governo Federal, voltadas para mestres e mestras da cultura popular, culturas tradicionais e fortalecimento das políticas culturais, representam avanços importantes para quem constrói cultura nos territórios todos os dias”, afirmou o superintendente.
A secretária de Estado da Cultura e Economia Criativa, Mellina Freitas, ressaltou a importância da presença alagoana na Teia Nacional e da participação dos agentes culturais do estado nos espaços de construção coletiva da Cultura Viva.

“A Teia é um espaço fundamental de troca entre os territórios culturais do Brasil. Ver Alagoas presente com seus mestres, fazedores de cultura, pontos de cultura e representantes da gestão pública mostra a potência cultural do nosso estado e a força das nossas tradições populares”, afirmou Mellina Freitas.
Na solenidade, representantes dos pontos de cultura presentes receberam placas de identificação da Política Nacional Cultura Viva. Segundo o Governo Federal, o reconhecimento alcança cerca de 16 mil pontos de cultura certificados em mais de 2,2 mil municípios brasileiros.
“Dezesseis mil pontos de cultura espalhados por mais de 2,2 mil municípios, 16 mil pontos de luz pulsando nas periferias, favelas, assentamentos rurais, quilombos e territórios indígenas. São 16 mil pontos de representações culturais que vão da matriz africana ao hip-hop e demais expressões contemporâneas”, disse Lula.
Criado há 22 anos, o Programa Cultura Viva apoia iniciativas culturais de base comunitária em todo o país e se tornou política nacional em 2014. Após um intervalo de 12 anos, a Teia Nacional voltou a ser realizada reunindo fóruns, rodas de conversa, apresentações culturais e debates sobre políticas públicas culturais e culturas populares.