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Maceió/Al, 22 de outubro de 2019

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17/09/2019 às 11:45

As sombras da história constroem mitos

*Sandro Melros

Os indivíduos parecem compor dois grupos: os ingênuos e aqueles que usam de malícia. Um terceiro termo dir-se-ia inviável, tendo em vista que a sociedade, organizada como está, requer essa polarização. A partir dessa classificação, há que se entender que as pessoas fazem de suas vidas vitrines a fim de se identificarem presentes na vida.

Na história da humanidade existem muitos lapsos descritivos que a ficção se encarrega de compor. Assim, muitas situações de desprezo, desconsideração, discriminação e outras tragédias sociais são apagadas pelo tempo, esquecidas no limbo da narrativa histórica. Isso faz com que muitas situações a serem evitadas surjam na contramão de uma sociedade civilizada.

Assim o foi com o fascismo, o nazismo, as ditaduras militares, autoritarismos socialistas, entre outros regimes políticos que atravessam todos os períodos conflitantes.

Travestidos de boas intenções políticas e de saídas fáceis à sociedade, esses regimes totalitários descredenciam-se de generosidade, de convivência pacífica, de justiça social, posto que beneficiem apenas as autoridades e asseclas que estão à frente dos comandos políticos. Em algum momento o bem e o mal aparecem indissociáveis, de modo a confundir, iludir e comprometer o bom senso.

A história e, hoje, a tecnologia poderiam contribuir para um melhor aproveitamento da vida em sociedade. Todavia, o tempo assevera-se de infortúnios em que alguns períodos não são amplamente revelados a serviço de um determinado grupo que forma elite econômica de uma comunidade.

Desta forma, há um controle dos indivíduos e um comprometimento da verdade que teima em não vir à tona integralmente.

Resta à sociedade apenas as meias-verdades, as notícias maquiadas, a história rota pelas más intenções de alguns e os enredos hermeneuticamente distorcidos. Algumas pessoas resolvem seguir o que está tramado pelo comando político; outras se encarregam de duvidar dos intuitos. Umas e outras estão à margem de uma sociedade reta, uma vez que o fito da civilização deva ser o bem comum.

Antissemitismo, imperialismo e socialismo são registros de grupos sociais que propõem ideologias discriminatórias, preconceituosas e danosas ao exercício de direitos mais elementares aos indivíduos. Todavia, as histórias recentes de conflitos bélicos não consideram um armistício entre os povos. No término da Segunda Guerra Mundial, por exemplo, criou-se uma expectativa de um terceiro e mais letal enfrentamento entre as potências que sobrevieram.

Vive-se nos escapismos da suposta trégua entre as nações, sob os auspícios de conflitos entre povos e nações, geralmente, de naturezas desprestigiadas, em que cada lado está uma grande nação bancando esse jogo de forças, em que todos perdem. Sobressaem-se figuras míticas – religiosas ou ideológicas – que contribuem para perpetuar o ódio e a desigualdade entre os indivíduos. Ou seja, apenas ganha a vaidade, a vantagem econômica e a irracionalidade religiosa de alguns em detrimento da harmonia proposta ou disponível à grande maioria da população mundial, não há uma saída fácil na análise de ídolos e suas atitudes. Narrar as falhas deles é como se conspurcassem ambientes sagrados. Considerar algumas assertivas nesses regimes políticos ou grupos religiosos, por outro lado, é transformar-se em uma espécie de besta apocalíptica. Então, o olhar despretensioso sobre a cena histórica e, como se propõe aqui, em razão daquilo que oficialmente a história não revela, mostra-se uma novidade essencial à sanidade da temporalidade e do seu desenvolvimento em prol da humanidade.

A história que não se lança à luz é eivada de erros de interpretação. Ela permite a perpetuação de injustiças e de tempos em tempos, a propagação de atitudes monstruosas, como extermínio de judeus, estupros de mulheres de um determinado grupo social ou religioso, fome extremada em países pobres. Não há como assegurar direitos básicos quando há obscuridade faz-se presente ao desenvolvimento da humanidade.

Sombras da história, então, são momentos imprescindíveis à melhor compreensão dos acontecimentos. Se não aparecem, muitas vezes, é porque se pretende perpetuar conflitos; outras vezes, porque escapa ao alcance do historiador- mesmo o mais atento; por fim, há situações em que esconder a verdade a fim de um entendimento que à época pareça ser o mais razoável.

Assim, o fato é que não se escolhe a melhor verdade. Ela deve ser a proposta para o crescimento individual e social. Se há erros, que sejam revistos; nos acertos, aprimorados ainda mais. Portanto, mitificar-se é, na maioria das vezes, cegar-se ao status quo vigente, maculando-se a justiça social, a verdade real e a essência humana.

*É advogado 

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