Moradores do Vergel do Lago denunciam comportamento truculento da Equatorial ao deixar mais de 45 mil usuários sem Internet
Edmilson Teixeira
Na última quinta-feira (12), o bairro do Vergel do Lago, em Maceió, tornou-se cenário de um descaso operacional que beira o autoritarismo. Sem qualquer aviso prévio ou diálogo com a comunidade e empresas do setor, a concessionária de energia Equatorial Alagoas promoveu cortes irregulares de cabos de fibra óptica, desconectando abruptamente cerca de 45 mil pessoas.
O que a empresa talvez classifique como "manutenção" ou "reordenamento", a Associação dos Provedores de Internet do Estado de Alagoas (Aspeal) define com termos muito mais pesados. “Essa ação, que mais pareceu vandalismo, prejudicou cerca de 60% da população do Vergel”, desabafou Wellington Santos, vice-presidente da Aspeal.
Veja o vídeo filmado por moradores nesta quinta-feira, 12 de março- clique abaixo
https://youtube.com/shorts/PMffPxJaR3c?feature=share
O corte da fiação não interrompeu apenas o lazer dos moradores; ele paralisou a economia e a educação local. Em uma era de digitalização forçada, a falta de rede afetou:
· Comerciantes e Empreendedores: Impossibilitados de realizar vendas via Pix, cartões ou gerir pedidos online.
· Escolas: Interrupção de atividades pedagógicas e administrativas.
· Serviços Públicos: Unidades de saúde e centros comunitários que dependem da rede para sistemas básicos.
O morador e comerciante Gabriel Gustavo registrou em vídeo o momento da ação. Segundo ele, a foice da concessionária foi democrática na destruição: mais de 15 operadoras diferentes tiveram seus cabos ceifados, ignorando o investimento privado e o direito do consumidor.
O episódio no Vergel do Lago não é um fato isolado, mas parte de um modus operandi preocupante. A Equatorial acumula um histórico de ações similares que remontam a 2022, atingindo desde áreas de vulnerabilidade social até bairros de classe média:
A reincidência mostra que, para a concessionária, o prejuízo financeiro dos pequenos provedores e o transtorno dos cidadãos parecem ser "danos colaterais" aceitáveis em sua logística de postes.
A ironia da situação reside no fato de que são justamente esses pequenos e médios provedores que garantem a democratização do acesso em Alagoas. De acordo com a Aspeal, 70% do mercado estadual é suprido por essas empresas. Elas operam onde as grandes operadoras nacionais muitas vezes não chegam, promovendo um verdadeiro "Internet para Todos".
"Cortar esses cabos sem diálogo é cortar o acesso à cidadania de quem mais precisa", reforça a associação.