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Pneumologista alerta que uso de vape pode causar inflamação, câncer e até morte

Dados do IBGE mostram aumento do consumo do dispositivo; Alagoas registra um crescimento de 131%

O avanço do cigarro eletrônico (vape, pod, e-cigarette) entre adolescentes no Brasil é visto como um sinal de alerta por profissionais de saúde. Mesmo proibido no país, o produto tem ganhado espaço entre os jovens, impulsionado pela desinformação, facilidade de acesso e apelo social. Para a pneumologista Sandra Reis Duarte, da Unimed Maceió, o cenário exige atenção imediata de famílias, escolas e autoridades.

Divulgados nesta semana, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, em Alagoas, por exemplo, 24,7% dos estudantes de 13 a 17 anos já utilizaram o dispositivo. O número representa um aumento de 14 pontos percentuais em relação a 2019 (10,7%), o que equivale a um crescimento de cerca de 131% no período. Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2024, o consumo de cigarro eletrônico já supera o do tradicional entre adolescentes no estado.

O crescimento acelerado preocupa especialistas, que identificam uma mudança no comportamento dos jovens em relação à nicotina. Para Sandra Reis Duarte, o uso precoce pode levar à dependência ainda na adolescência e funcionar como porta de entrada para o cigarro convencional e outras formas de vício. Ela ressalta que a aceitação social do vape contribui para ampliar esse cenário.

Do ponto de vista clínico, os riscos são significativos. “Eles podem causar danos ao sistema respiratório, uma vez que o vapor contém substâncias irritantes e tóxicas, como formaldeído e acroleína, que podem provocar inflamação das vias aéreas e redução da função pulmonar. Além disso, pode ocorrer uma condição grave conhecida como EVALI, que pode levar à internação e até ao óbito. Ressalta-se também o risco de câncer, devido à exposição a compostos potencialmente carcinogênicos”, alerta a especialista.



A presença de nicotina também representa uma ameaça ao coração. De acordo com a especialista, a substância pode elevar a pressão arterial e aumentar a frequência cardíaca, ampliando o risco de doenças cardiovasculares. Outro ponto crítico é o potencial de dependência. “A nicotina é altamente viciante, podendo levar à dependência física e psicológica”, afirma Sandra. Ela também destaca que o consumo na adolescência pode prejudicar o desenvolvimento cerebral, uma vez que, nessa fase, o organismo ainda está em desenvolvimento.

Como conter o avanço

Diante desse cenário, a pneumologista, que também é professora adjunta na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), defende que a principal estratégia é investir em informação e diálogo. “É importante explicar, de maneira simples, que o vape não é inofensivo e pode causar dependência”, orienta. Para ela, o papel da família é observar mudanças de comportamento e evitar abordagens punitivas, priorizando a escuta e o acolhimento.

A especialista também destaca a responsabilidade coletiva. Campanhas educativas, participação ativa das escolas e políticas públicas mais eficazes são fundamentais para conter o avanço do problema. “Não existe solução única”, afirma. Segundo ela, é necessário combinar educação, fiscalização e apoio para evitar que uma nova geração seja impactada pela dependência da nicotina e por doenças associadas ao tabaco.



Fonte: Algo Mais Comunicação Corporativa