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Palestra na ALANE debate legado da monarquia em Alagoas

O palestrante Alexandre Márcio Toledo com a presidente da ALANE-AL, Nara Sá.

A Academia de Letras e Artes do Nordeste (Núcleo Alagoas) realizou, nesta terça-feira (07), reunião mensal na reitoria do IFAL, em Maceió, com palestra do professor doutor da Universidade Federal de Alagoas, Alexandre Márcio Toledo, sobre o legado da monarquia em Alagoas. Ele foi comissário do Círculo Monárquico Brasileiro – Regional Alagoas (2017–2019) e chanceler do Círculo Monárquico de Alagoas (2020–2022).

Antes da palestra, a presidente da ALANE-AL, Nara Núbia de Melo Sá, empossou a professora doutora Andrea Marques Vanderlei Fregadolli, como acadêmica honorária. Em seu discurso, ela destacou a emoção de integrar a instituição e ressaltou a importância da Academia na representação cultural do Nordeste. A nova acadêmica recitou um poema escrito aos 24 anos.

Já o palestrante, Alexandre Toledo, apresentou uma análise sobre a influência da monarquia na formação histórica de Alagoas, destacando sua presença em nomes de cidades, praças e instituições culturais. Abordou aspectos da biografia de Dom João VI, D. Pedro I, D. Pedro II e do Visconde de Sinimbu. Entre os exemplos citados, o palestrante mencionou as cidades Vila Nova da Imperatriz (União dos Palmares) , Colônia Leopoldina, Vila Isabel (Maragogi) e Penedo; as praças Dom João VI (Sergipe), Dois Leões, Dom Pedro II e Sinimbu; além de instituições culturais que guardam acervos da monarquia: Associação Comercial de Maceió, o Museu Paço Imperial, em Penedo, a Fundação Pierre Chalita e o Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.

Ao mencionar Dom Pedro II como seu “grande ídolo”, destacou o perfil intelectual do imperador e relembrou a frase: “Se eu não fosse imperador, gostaria de ser professor.”   Já o acadêmico Jailton Balbino questionou a democracia nos regimes monárquicos, ressaltando a importância da liberdade de pensamento e escolha. O palestrante replicou, destacando que o poder moderador presente na constituição de 1824 ampliava os três poderes: “não se pode associar automaticamente monarquia ao absolutismo nem república à democracia”, afirmou Toledo ao citar o poder moderador como elemento de equilíbrio institucional proposto pelo filósofo francês Montesquieu.

O acadêmico e presidente da Federação das Academias de Letras, Artes, Cultura e Ciências de Alagoas (FALACCAL), Moézio de Vasconcellos Costa Santos, destacou a importância da palestra e a necessidade de revisão das narrativas históricas locais. Ele propôs, conforme abordado pelo palestrante, a adoção do nome da Praça Dom João VI, conforme lei municipal de 1975.

Já o acadêmico Geraldo Dantas destacou a importância de Dom Pedro II na história nacional, classificando-o como “o maior estadista que esse país já teve”, além de ressaltar a preservação de marcos históricos do período imperial em cidades do interior de Alagoas. Encerrando o encontro, a presidente Nara Sá elogiou o palestrante e destacou a importância do diálogo e da valorização da cultura. “A Academia segue como espaço de reflexão, memória e construção coletiva do pensamento”, afirmou.