Oficina fortalece construção coletiva do Plano de Manejo da APA do Pratagy
Joyce Maia (sob supervisão)
A construção do Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Pratagy avançou mais uma etapa com a realização de uma oficina técnica, promovida pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL). O evento reuniu conselheiros, gestores e representantes de diferentes instituições. A atividade deu continuidade às discussões iniciadas na reunião ordinária do Conselho Gestor, promovida pelo Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), quando foi apresentado o andamento dos estudos e um esboço do zoneamento da unidade.
Instrumento fundamental de gestão, o Plano de Manejo é o documento que define as diretrizes para conservação e ocupação da unidade, orientando as ações que podem ser desenvolvidas no território. Segundo a gestora da unidade, Kamila Silva, o processo participativo tem sido essencial para o avanço do documento. “Hoje, foi realizada a segunda oficina de construção do Plano de Manejo da APA do Pratagy. Nela, discutimos o zoneamento e as normas de cada zona proposta junto aos membros do conselho da unidade de conservação. Essa construção participativa é muito importante, pois permite abranger diferentes situações vivenciadas no território. Além disso, representa um grande passo para a conclusão do Plano de Manejo”, afirmou.
O processo apostou numa participação direta, com os participantes reunindo-se em grupos para deliberar sobre os principais problemas e as possíveis intervenções. Mais do que uma etapa técnica, o formato da oficina demonstrou uma mudança no modo de pensar o planejamento ambiental.
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Para o diretor executivo do Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefanis, esse modelo torna o plano mais eficiente e conectado à realidade local. Segundo ele, as oficinas permitem que experiências concretas orientem as decisões e contribuam para a definição de regras mais adequadas ao dia a dia da unidade. “Hoje esses planos não são mais feitos apenas em escritório. Eles são construídos de forma participativa, com a contribuição dos conselhos e das pessoas que vivem no território. São essas vivências que ajudam a definir regras mais alinhadas à realidade local”, destacou.
Representando o Conselho Gestor, a gerente de Controle Ambiental da Casal, Elane Pereira, diz que o processo expande o olhar sobre o território, especialmente em uma área estratégica para o abastecimento hídrico. “A proposta é pensar o território a partir de diferentes perspectivas, considerando principalmente a preservação ambiental. Esse formato valoriza as contribuições dos conselheiros e torna o processo mais integrado”, afirmou.
Durante a oficina, a metodologia participativa também se destacou pela dinâmica de interação entre os participantes. A também conselheira e bióloga da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh), Valdenira Chagas, ressaltou que esse espaço permite identificar coletivamente os principais problemas da unidade e transformá-los em ações concretas.
“O plano de manejo é um instrumento de gestão. É nele que são definidos os projetos e ações que podem ser desenvolvidos dentro da unidade, sempre a partir das necessidades identificadas no território”, explicou.
APA do Pratagy
A APA do Pratagy é considerada estratégica para o meio ambiente da região metropolitana de Maceió. De acordo com o gerente de Unidade de Conservação, Alex Nazário, a área protege remanescentes florestais que influenciam diretamente na qualidade da água e no abastecimento da capital, além de abrigar espécies como tartarugas marinhas e peixes-boi no estuário do rio.
Criada em 1998, a unidade de conservação abrange mais de 21 mil hectares e inclui partes dos municípios de Maceió, Rio Largo e Messias. Por ser uma área de uso sustentável, permite atividades econômicas, desde que compatíveis com a preservação ambiental. Com a condução participativa e o envolvimento do Conselho Gestor, a expectativa é que o Plano de Manejo da APA do Pratagy seja finalizado até o fim do primeiro semestre de 2026.