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Desenrola 2.0: Nordeste concentra maiores níveis de endividamento e expõe fragilidade da renda familiar

O lançamento do Desenrola 2.0 reacendeu o debate sobre o endividamento no Brasil e evidenciou como o problema se distribui de forma desigual entre as regiões. No Nordeste, a renda média reduzida gera uma maior dependência de crédito, o que aumenta as pressões sobre o orçamento e deixa os estados nordestinos em um estágio mais crítico de deterioração financeira, acima da média nacional.

“Hoje, 70% dos brasileiros têm algum tipo de dívida e quase 30% da renda das famílias está comprometida com prestações, segundo dados do Banco Central”, contabiliza o presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), o advogado Rodrigo de Abreu Pinto. “No Nordeste, porém, os dados oficiais mostram que esse peso tende a ser maior, tanto em volume quanto em dificuldade de pagamento”, destaca.

Endividamento em alta

Os dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram um cenário regional preocupante. Em Pernambuco, a edição mais recente da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC/CNC) aponta que 80,9% das famílias do Recife estavam endividadas em março de 2026.

Em outros estados do Nordeste, o levantamento mostra níveis ainda mais elevados. No Ceará, 89% das famílias apresentam dificuldade de pagamento, segundo estudo da FGV Ibre e Serasa. Na capital, Fortaleza, o patamar de endividamento chega a 71% da famílias e a parcela da renda comprometida atinge 42%.

Em Alagoas, a pesquisa registra que 83,4% dos domicílios de Maceió possuem contas em atraso. Já no Rio Grande do Norte, o percentual de famílias endividadas em Natal é de 84,6% e 49% das dívidas em atraso no estado já estão acima de 90 dias.

Na Bahia, o percentual de famílias endividadas em Salvador vem crescendo desde março de 2025 - quando era de 64,9% - e atinge agora 76,3%. Em números absolutos, isso representa 610.951 domicílios com dívidas na capital baiana.

Para Rodrigo de Abreu, esses indicadores reforçam que, além de mais elevado, o endividamento na região tende a ser mais duradouro e difícil de reverter: “O problema não é só o volume, mas a capacidade de pagamento. Em regiões com renda menor, desequilíbrios desse tipo têm impacto mais prolongado”.

Crédito caro concentra risco

O executivo avalia que o cartão de crédito, especialmente o rotativo, segue como um dos maiores vilões do endividamento no país. Segundo o Banco Central, essa modalidade tem juros médios de 15% ao mês. Já o Datafolha informa que 27% dos brasileiros usam essa linha com frequência.

Ao mesmo tempo, Rodrigo de Abreu chama atenção para um fator estrutural que agravou o comprometimento financeiro dos consumidores: a expansão do acesso a financiamentos.

“A digitalização, o crescimento de fintechs que oferecem crédito instantâneo e ferramentas como Pix e Open Finance ampliaram o acesso ao crédito de forma inédita. Isso é positivo do ponto de vista da inclusão, mas não veio acompanhado de educação financeira na mesma velocidade”, afirma.

Outro vilão responsável pela perda de capacidade de pagamento é o setor de apostas online, que passou a disputar diretamente a renda das famílias e comprometer recursos que seriam destinados a faturas de energia, do cartão de crédito, à quitação de empréstimos pessoais e até à alimentação.

A CNC aponta que os brasileiros já gastam R$ 30 bilhões por mês em bets. A organização indica ainda que esse fluxo contribuiu para levar 270 mil famílias à inadimplência e retirou R$ 143 bilhões do varejo desde 2023. Como resposta, o novo Desenrola prevê o bloqueio do CPF dos participantes para uso nessas plataformas por 12 meses.

Como evitar o endividamento?

Rodrigo de Abreu Pinto defende dicas simples, porém eficazes, para que o consumidor fuja das armadilhas que podem corroer sua renda. Confira:

● Defina limite de gastos inferior ao do cartão;

● Acompanhe a fatura ao longo do mês;

● Evite o uso do crédito rotativo;

● Opte por parcelamentos apenas em situações emergenciais e, nesse caso, priorize planos com as menores taxas de juros;

● Concentre despesas em um único cartão;

● Mantenha distância de plataformas de apostas.

Quem é Rodrigo de Abreu Pinto?

Presidente do Instituto Brasileiro de Finanças Digitais (IFD), o advogado Rodrigo de Abreu Pinto é especialista em Direito Empresarial e Societário. Dedicado à inovação, também preside a Comissão de Inovação e Mercado de Capitais da Associação Brasileira dos Advogados do Mercado Imobiliário (ABAMI).

Outra área em que Rodrigo de Abreu Pinto atua é a de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), sendo responsável pela Comissão de Estudos sobre SAF criada na OAB-PE. Sócio do escritório Albuquerque Pinto Advogados, o jurista está presente ainda na área institucional como diretor da Câmara de Comércio Brasil-Portugal (PE) e integrante do conselho curador da Fundação Gilberto Freyre.

Fonte: Assessoria b