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Maceió/Al, 13 de agosto de 2020

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18/05/2020 às 14:07

Crônica: Impunidade!

Rodrigo Alves de Carvalho (*)

- Nossa amigo. Fiquei sabendo que você foi assaltado novamente.

- Pois é. Pela segunda vez os ladrões entraram na minha casa e roubaram eletrodomésticos e outros objetos.

- Conseguiram achar os ladrões?

- Ainda não. Mas se acharem tenho certeza que ficarão detidos alguns dias e depois serão soltos. Esse é o problema. A impunidade.

- E o que você pretende fazer?

- Vou me mudar para algum lugar onde não haja possibilidades de ladrões me roubarem novamente. Talvez me mude para um apartamento.

- Só que num apartamento você não estará seguro. Os assaltantes disfarçam de técnicos de manutenção e roubam um edifício inteiro. Nada acontece com eles por causa da impunidade.

- Então vou me mudar para a roça. Vou criar galinhas e plantar feijão!

- Você está louco! Na zona rural é registrado um grande número de roubo e violência. Os ladrões não querem saber se o local é distante da cidade, pois sabem que poderão agir já que existe essa impunidade.

- Desse jeito só me resta ir morar numa ilha deserta cercada pelo mar. Numa ilha os ladrões não irão chegar.

- Mero engano, inocente amigo. Você não vê os noticiários que os mares estão repletos de piratas que saqueiam e sequestram navios. Se acharem você morando sozinho numa ilha deserta com certeza não pensarão duas vezes e o que acabará nessa história além de sua vida correr perigo é a impunidade.

- Mas tem um lugar onde bandido algum me encontrará e é para lá que vou me mudar o mais rápido possível!

E dessa forma o cidadão de nossa história se mudou de mala e cuia para o interior da selva amazônica. Um lugar ainda inexplorado pelo homem branco e que até os índios desconheciam. Foi lá que nosso pacato morador construiu sua cabana e passou a viver à base da caça e dos recursos naturais da floresta.

Porém, numa certa manhã ao acordar constatou que meliantes haviam roubado suas frutas durante a madrugada. Laranjas, bananas, mangas e até uma jaca foram surrupiadas.

Ao olhar no topo de algumas árvores distante a vítima pode observar vários macacos em algazarra portando as frutas há pouco roubadas.

Sem ter como agir, o homem teve que se conformar mais uma vez com a amargura da impunidade.


(*) Nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.



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