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Crônica: O Salsichinha que achava ser Pitbull

Por Rodrigo Alves de Carvalho

O pequeno Pipoca era um cachorrinho da raça Dachshund, que todos conhecemos como cachorrinho salsicha, com seu minúsculo corpinho comprido, carinha alongada e grandes orelhas caídas.

Pipoca tinha poucos meses de vida, mas era hiperativo, corria por todos os lados, pulava em cima de seus irmãos, mordia tudo o que encontrava pela frente.

Porém, o cachorrinho se diferenciava de seus irmãos pela valentia e o temperamento forte: era bravinho com as pessoas que se aproximavam.

Sua mãe o repreendia dizendo que não podia ser tão bravo, pois todos daquela raça eram amorosos. Mas, Pipoca se enfurecia ainda mais porque não aceitava ser um cachorrinho bonitinho e fofinho, queria mesmo era ser um pitbull.

— Eu sou bravo! Eu sou perigoso! Sou um pitbull! – Rosnava o pequenino cachorro para o velho gato da casa chamado Acácio.

— Nossa! Que pitbull mais medonho! Estou tremendo de medo! – Dizia Acácio, morrendo de rir, com seu sarcasmo felino.

Pipoca não se deixava abater e latia para o gato na tentativa de amedronta-lo. Entretanto, seus latidos eram tão baixos e tão fraquinhos, que pareciam pequenas tossidas.

O cachorrinho não via a hora de crescer e enfim, se tornar como um pitbull. Esperava ansiosamente colocar medo em todos quando mostrasse seus terríveis dentões pontiagudos, e apenas sua presença fosse o suficiente para todos correrem, apavorados de medo.

O Gato Acácio constantemente convidava seus amigos felinos para festas em casa, quando a madrugada chegava. Juntavam muitos gatos pelo muro ou em cima da casa, onde conversavam, namoravam e se divertiam. Pipoca ficava enlouquecido com a balburdia, não aceitava aquela pouca vergonha dos gatos e os enfrentavam para que a ordem fosse estabelecida, como todo pitbull de respeito faria naquelas ocasiões. O cachorrinho latia, corria e rosnava. A gataiada ria:

— Minha nossa! O que vamos fazer! O pitbull vai estraçalhar todos nós!

— Que cachorrão bravo! Acho que vou desmaiar de tanto medo!

Pipoca continuava latindo e os gatos se divertiam. A festa ficava ainda mais animada. No fim, Pipoca se cansava e voltava para junto de sua mãe. Mas a raiva o consumia. Quando crescesse iria acabar com aquela algazarra.

O tempo passou e Pipoca realmente cresceu... alguns centímetros.

Mas, sua coragem nunca diminuiu. O cachorrinho continuava rosnando e latindo para todos que apareciam na casa, e principalmente, para os gatos. Que adoravam Pipoca.

O amiguinho valente que pensava ser um feroz pitbull.