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Desenrola Brasil 2.0 - entenda o programa e as preocupações de especialistas

| Reprodução/Site institucional.dsop.com.br/desenrola-brasil

O lançamento do Desenrola Brasil 2.0, nova fase do programa federal de renegociação de dívidas, traz avanços importantes ao ampliar sua atuação para diferentes setores da economia. Com foco em reduzir a inadimplência, facilitar o acesso ao crédito e estimular a retomada do consumo, a iniciativa passa a atuar em quatro frentes: famílias, empresas, crédito estudantil e produtores rurais.

No entanto, para o PhD em Educação do Comportamento Financeiro, Reinaldo Domingos, o programa segue enfrentando uma limitação estrutural. “Estamos, mais uma vez, tratando o efeito do problema, enquanto a causa continua sendo ignorada”, afirma.

Segundo ele, embora o Desenrola 2.0 tenha papel relevante no reequilíbrio econômico de curto prazo, sua efetividade pode ser comprometida pela ausência de uma abordagem consistente de educação financeira.

Programa mais amplo e com impacto econômico direto

O Desenrola Brasil 2.0 se apresenta como uma política pública de impacto econômico, estruturada para atingir diferentes perfis de endividamento:

Desenrola Família: voltado a pessoas físicas negativadas, permite renegociação com juros limitados a cerca de 1,99% ao mês, descontos de até 90% e possibilidade de uso de até 20% do FGTS para quitação de dívidas.

Desenrola Empresas: direcionado a micro e pequenas empresas, amplia acesso ao crédito, prazos e carência, com impacto direto na manutenção de empregos.

Desenrola FIES: oferece condições facilitadas para renegociação de dívidas estudantis, incluindo descontos expressivos e parcelamentos de longo prazo.

Desenrola Rural: atende agricultores familiares, permitindo renegociação de dívidas e continuidade da produção no campo.

Na prática, o programa busca reinserir milhões de brasileiros no sistema financeiro, estimular o consumo e manter a atividade econômica ativa.

Pontos de atenção: juros, FGTS e risco de reendividamento

Apesar dos benefícios, Domingos chama atenção para aspectos críticos. Um deles é a percepção de juros “baixos”. “A taxa de 1,99% ao mês pode parecer acessível, mas no longo prazo representa um custo elevado, especialmente para quem já está fragilizado financeiramente”, explica.

Outro ponto sensível é o uso do FGTS. Para o especialista, trata-se da principal reserva financeira do trabalhador brasileiro. “Ao utilizar esse recurso para quitar dívidas, troca-se uma segurança futura por um alívio imediato, sem garantia de mudança estrutural no comportamento financeiro.”

Além disso, ele destaca um desalinhamento: o trabalhador utiliza um recurso de baixo rendimento para quitar dívidas que ainda possuem juros relevantes.

Educação financeira ainda é o elo ausente

Para Domingos, o principal problema não está na dívida em si, mas no comportamento financeiro da população. “A dívida é consequência. O problema real está na falta de organização, planejamento e educação do comportamento financeiro.”

Ele observa que muitas famílias utilizam o crédito como extensão da renda, impulsionadas pela perda do poder de compra. “Hoje, vemos reajustes salariais próximos de 5%, enquanto o custo de vida cresce em torno de 20%. Sem orientação, o crédito vira a única saída, e também o principal risco.”

O especialista também questiona a ausência de medidas estruturais no programa. “Restringir apostas online é insuficiente. Sem educação financeira, o ciclo tende a se repetir: renegocia, limpa o nome, volta ao crédito e, em pouco tempo, retorna ao endividamento.”

Programa é oportunidade, mas exige mudança de comportamento

Apesar das críticas, Domingos reconhece a importância do Desenrola como ferramenta emergencial. “Programas de renegociação são necessários. Eles podem representar um recomeço real. Mas só fazem sentido se vierem acompanhados de mudança de comportamento.”

Ele reforça que, antes de aderir ao programa, é fundamental que o consumidor faça um diagnóstico financeiro:

- Quanto ganha e quanto gasta
- Para onde vai o dinheiro
- Quais são suas prioridades e objetivos

“Sem essa análise, a decisão será baseada na urgência, não na consciência”, alerta o presidente da ABEFIN.

Aula gratuita orienta uso consciente do Desenrola 2.0

Para apoiar consumidores, gestores e profissionais de RH na tomada de decisão, Reinaldo Domingos disponibilizou uma aula gratuita sobre o tema, abordando as mudanças do programa, seus riscos e a aplicação prática da Metodologia DSOP. Para obter a aula basta acessar:

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Para concluir, o especialista explica que Desenrola Brasil 2.0 se consolida como uma iniciativa relevante para reduzir a inadimplência e estimular a economia. No entanto, sem enfrentar a raiz do problema, a ausência de educação do comportamento financeiro, o programa corre o risco de repetir um ciclo já conhecido: aliviar o presente, mas comprometer o futuro.

Fonte: Assessoria