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Maceió/Al, 19 de julho de 2018

Colunistas

Jorge Luiz Bezerra Jorge Luiz Bezerra
É professor universitário, advogado, Mestre em Direito pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), delegado de Polícia Federal aposentado, especialista em Política Criminal, Segurança Pública e Privada, além de autor de diversos livros e artigos jurídicos.
16/01/2018 às 08:01

Orlando, uma das cidades mais inseguras dos EUA. Será?

Cidade é a mais visitada pelos brasileiros Cidade é a mais visitada pelos brasileiros

Orlando, é uma das cidades mais conhecidas do mundo, graças aos seus espetaculares parques de diversões, que a torna uma das grandes metrópoles para recreação. Infelizmente, essa boa reputação tem sido questionada pelos analistas do Wallet Hub. 
Em assim sendo, Orlando juntamente com Detroit (Michigan) e Oklahoma City (Oklahoma), foram três das cidades mais inseguras dos Estados Unidos em 2017, de acordo com um estudo publicado em 4 de dezembro no site Wallet Hub, que analisa a situação de 180 cidades naquele país.

As localidades de Fort Lauderdale (Florida), St Louis (Missouri) e San Bernardino (Califórnia) são reconhecidas como os três municípios menos seguros dos Estados Unidos, enquanto, Nashua (New Hampshire), South Burlington (Vermont) e Warwick (Rhode Island) fechou o pódio dos três mais seguros, ainda segundo o Wallet Hub.

A análise de segurança compara um total de 35 campos que variam de assaltos por pessoa ao nível de desemprego, passando pela qualidade das estradas. Este relatório poderia afetar negativamente a economia do Condado de Orange, em particular a área de turismo, já que muitas agências de viagens, empresários, albergues e até mesmo turistas analisam esse tipo de relatórios para decidir seus respectivos investimentos em turismo e viagens de lazer. 

Poderia? Muito provavelmente não. Hoje, cerca de 48 milhões de turistas frequentam Orlando anualmente. O projeto da empresa Brightline, a maior iniciativa do setor privado no seguimento ferroviário elevará esses números para mais de 100 milhões de visitantes em 2020, com a chegada do trem-bala que ligará Miami - Orlando.

Outros índices
Em relação ao índice de crime de ódio, em Corpus Christi (Texas) há 71,8 casos menos do que em Boston, a cidade com mais incidentes desse tipo, com 22,25 por 100 mil habitantes.

De acordo com o estudo, Salt Lake City (Utah) abriga 6,8 vezes mais assaltos do que Yonkers (Nova York), onde há 13 casos por 1.000 habitantes. A capital do país, Washington, tem a maior taxa de empregados no seguimento de manutenção da ordem pública no território, com 639 por 100.000 habitantes, 5,7 vezes o número de trabalhadores na cidade de Irvine (Califórnia), com 113. medir a morte de pedestres, em que, Aurora (Colorado) é apresentada como a terra mais segura com 0,28 por 100,000 habitantes, longe dos 7,62 em Jackson (Mississipi), 27,2 mais vezes.

No nível de desemprego, Detroit registrou 5,2 vezes mais casos do que South Burlington, com 10,9% e 2,1%, respectivamente. A menor taxa de população sem seguro é em Pearl City (Hawaii), com 3,8 por 100 habitantes, 9,1 vezes inferior a Brownsville (Texas), com uma proporção de 34,6%.

Cresce o uso de arma no trânsito na Florida
Outro levantamento aponta que mais pessoas estão usando armas para resolver desentendimentos nas estradas e mais desses incidentes acontecem na Flórida do que noutros estados, consoante o The Trace – organização sem fins lucrativos que analisou dados de 2014 a 2016 coletados pela Gun Violence Archive.

Conforme o The Trace, 1,7 milhões de pessoas na Flórida possuem autorização para armas em casa ou permissões para portar armas de fogo. Em 2015, o número era de 1,3 milhão.

O número de incidentes em geral envolvendo armas registrado na Flórida somente em 2017, foi de 11.426, sendo que 2.946 resultaram em morte e 5.394 pessoas ficaram feridas, segundo dados do Gun Violence Archive do dia 12 de abril de 2017.

No Estado da Laranja (The Orange State), como é conhecida a Florida, os republicanos estão bastante inclinados a aprovar leis que ampliam os direitos de portes de armas após a comoção social causada pelas grandes tragédias, como foram a da boate Pulse em Orlando (12 de junho de 2016) e do aeroporto de Fort Lauderdale (6 de janeiro de 2017) 

Um levantamento de crimes na Flórida em 2016, divulgado pelo site “Neighborhood Scout”, com base em dados do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA, indica um total de 93.626 crimes violentos em um ano em todo o estado – uma média de 4,62 crimes por mil habitantes – e cerca de 570.270 crimes de propriedade, totalizando uma média de 28.13 crimes de propriedade por mil habitantes.

Em 2017, foram reportados 16;826 ocorrências policiais na Flórida, uma média de 6,059 % para cada 100 mil habitantes, 3,11% para cada 100 mil hab. na Flórida.

Diante dessas cifras da criminalidade dos Estados Unidos, com ênfase na Flórida e principalmente Orlando, forçoso é concluir que não estamos falando das estatísticas dos países escandinavos, onde é pífio o índice de crimes. Todavia, não é razão para alarmar. Primeiramente, por que a polícia norte-americana vem evoluindo no combate ao crime, seja pela grande quantidade de recursos disponíveis, mas também pela preocupação dos institutos de criminologia e universidades estão vigilantes e empenhados em buscar soluções para redução da violência.

Em segundo lugar, temos que no sistema penal norte-americano (Common Law) é mais rígido, no caso da Florida, tem pena de morte, os menores cumprem as penas por crimes graves em sua inteireza, além disso a justiça é rápida e muito severa.

Por derradeiro, comparando com a violência praticada em cidades brasileiras como: Rio de Janeiro, Recife, Maceió, Macapá, Fortaleza e tantas outras, mundo a fora como Buenos Ayres, Caracas, San Salvador, Acapulco, Cidade do Cabo (África do Sul), Cali(Colômbia), Detroit, St. Louis, Baltimore etc., que estão entre as 50 cidades mais violentas do mundo, Orlando é mesmo uma Disneylândia entre a cidades, ditas “violentas” pelo Wallet Hub.

Do exposto, a cidade de Orlando tem focos de violência? Tem sim, isso é verdade, todavia, nada que possa inibir a intensa visitação e migração, inclusive de brasileiros que já ultrapassam o número dos 30 mil residentes naquele município. Continuemos visitando a terra do Mickey, mas com a cautela e atenção exigida de todos viajantes em terras estrangeiras.

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