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Maceió/Al, 18 de fevereiro de 2020

Colunistas

Wadson Regis Wadson Regis
Jornalista profissional, formado pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), é editor-geral do AL1.
08/02/2020 às 14:29

Rui, Rui! Rodrigo, Rodrigo! Alfredo, Alfredo! Que escolha!

Para a maioria dos políticos de Alagoas ocupar o mandato é uma questão de equação financeira. Simples assim. Para a minoria, é uma luta.

Independente dos caminhos para chegar lá, a quase totalidade nos nossos representantes na política não tem a mínima noção - e preparo – para alcançar o posto de líder. Para eles o que vale é vencer. Não sabem que o mais importante começa depois do resultado das urnas. Ser eleito é feijão com arroz, o difícil é saber o que fazer com a vitória, durante os quatro anos de mandato.

É por isso que não temos tantos líderes. Por exemplo:

- Quem é o líder ou principal nome entre os vereadores de Alagoas? Não há, nem por aproximação, uma referência. Na minha opinião é Anizão, lá de Murici. Não está nem aí para a União dos Vereadores de Alagoas (Uveal), mas é referência na União dos Vereadores do Brasil (UVB).

- Situação bem diferente acontece no Poder Legislativo Estadual (ALE), onde Marcelo Victor é soberano e sem ruptura entre os iguais. Para chegar à presidência ele não apenas quebrou paradigmas, soube fazer (com perfeição) seu caminho até o topo daquele poder.

Alagoas tem 102 prefeitos. Uns bem avaliados, como Renato Filho, no Pilar, com a administração aprovada por mais de 90% da população. Outros patinam na casa dos 50% e alguns agonizam e precisarão de muita manha para permanecer ou fazer o sucessor. Não há um líder “referência” no municipalismo alagoano.

A Câmara Federal tem nove parlamentares. Cada um com seu estilo e nenhum com o carimbo de líder, nem entre eles mesmos.

O Senado tem Fernando Collor e Renan Calheiros (dois dos mais expressivos currículos da política nacional) figurando no baixo-clero. São líderes natos e podem dar a volta por cima num piscar de olhos. Já Rodrigo Cunha não emplacou a liderança esperada. Pelo perfil e decisões isoladas tem a certeza de mais 7 anos como senador. E só.

O governador Renan Filho não herdou do pai a capacidade de articulação política. De fato, ele representa a mais expressiva ruptura no conceito da nova política. Está longe do ideal e não optou pela meritocracia para ser “diferente”, como Renan Calheiros o intitula.

As eleições municipais estão se aproximando e com os dois únicos líderes “no exercício do mandato” em baixa, há a expectativa de oportunidade para 7 políticos carimbarem o título de líder.

- Um deles é Ronaldo Lessa, que busca voltar ao protagonismo. 

- Outro é Alfredo Gaspar de Mendonça, disposto a jogar tudo para entrar numa seara que ele apenas imagina ter noção.

 - Renan Filho terá um teste de fogo. Se fizer o sucessor de Rui Palmeira quebra a sequência de 31 anos de derrota do seu grupo político em Maceió. Para ele o desafio é ainda maior, porque seu caminho em 2022 passa pelos resultados nos 102 municípios. Em Arapiraca está bem avançado, mas na capital há muita água correndo por debaixo da ponte, até que seu nome seja oficializado. 

- Rui Palmeira tem a bola 7 para fazer seu sucessor e abrir caminho para chegar ao governo do Estado. Tem capital político limitado e o simples erro de estratégia (escolha do nome) já lhe tirará do jogo. Para Rui tudo começa pela escolha e a consequente vitória em Maceió.

- Rodrigo Cunha foi o protagonista das eleições 2018, em Alagoas. Aproveitou a onda nacional de pleito disruptivo e viu o cavalo chegar selado. Venceu convencendo, mas o primeiro ano não lhe trouxe o feedback imaginado por ele e a maioria do seu eleitorado. Por sua conta e risco optou pela ruptura com Rui Palmeira, que lhe apoiou nas eleições para deputado estadual e senador. As escolhas dizem muito. É um conceito que - agora – cai perfeitamente para Alfredo Gaspar e Rui Palmeira.

- Esta será uma eleição emblemática para JHC. Líder absoluto até agora, terá seu segundo teste majoritário, numa situação mais confortável, no comparativo com 2016, quando ficou em terceiro. O deputado federal mais votado (proporcionalmente) do Brasil tem o simbolismo do novo, mas vai para sua quinta eleição. Perdeu para estadual e prefeito. Venceu duas para federal. Se vencer se consolida como protagonista e terá a oportunidade de liderar. Se perder, serão 3 derrotas e 2 vitórias no currículo. Estará desgastado para 2022 e definitivamente fora dos padrões de liderança.

Portanto, Rui Palmeira, Rodrigo Cunha e Alfredo Gaspar têm, como ponto de partida, a responsabilidade por suas escolhas. Dois deles já confirmaram a ruptura. Alfredo pode manter o que está acordado ou também entrar no mesmo jogo. JHC não entra nesse conceito porque foi escolhido. Os outros pagarão ou vibrarão por suas escolhas.

PS.: O texto ficou longo porque este pleito dará uma grande história.

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