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Maceió/Al, 16 de junho de 2021

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15/02/2021 às 12:50

Crônica: Vem falar aqui comigo!

Rodrigo Alves de Carvalho (*)

Ei você! Você mesmo. Por que não conversa mais aqui comigo? 

Me lembro que alguns anos atrás muita gente chegava aqui para conversar. Eram bons tempos. 

Tantas coisas pude escutar de pessoas apaixonadas abrindo o coração para a amada em declarações românicas sussurradas e carinhosas. Tantas conversas intermináveis com amigos que faziam o tempo passar e quando dávamos conta já haviam estrelas no céu. 

Por que tinha que ser assim? Ficar sozinho é o pior castigo para quem a vida toda esteve cercado de pessoas, para quem nasceu para escutar as vozes que eram o sentido da existência. 

Hoje esse silêncio é angustiante, me sinto surdo, me sinto numa total solidão. 

As pessoas ainda passam, caminham apressadas, com seus mundos girando ao redor deles, sei que as coisas mudam e a cada estação, a cada ano, nos tornamos velhos, é a vida nos encaminhando para o fim... 

Mas, ainda estou aqui, ainda espero por alguém que possa chegar, nem que seja rapidinho e por alguns segundos falar aqui comigo. 

Por favor, não me ignorem! É o que peço, se esse preconceito por eu ser um velho, desatualizado ou simplesmente fora de moda for o motivo de vocês me evitarem, peço desculpas. 

Sinceramente não tenho culpa de ter parado no tempo, de não ser o que era no passado. Aquele passado glorioso que me dilacera de saudades. 

E olha! De boa. Não precisa ter vergonha. Tem tanta gente que acha feio e ultrapassado ficar falando aqui comigo, por eu ser de outros tempos. Mas deixem as pessoas falarem. O que importa é o que você pensa de si próprio. Prometo que tudo o que você disser vai ficar aqui entre nós. 

O que também me entristece é ver essa criançada que anda pra lá e pra cá e nem sequer percebe que eu existo. Antigamente me lembro como se fosse ontem, a criançada sapeca não saia daqui. Era preciso até umas broncas porque exageravam nas brincadeiras. Infelizmente essas crianças cresceram e simplesmente me deixaram de lado. 

Por isso eu peço mais uma vez. Se um dia estiver tranquilo e ao me ver lembrar desse apelo, por favor vem conversar aqui comigo. Deixe de lado esse maldito celular e nem que seja um pouquinho venha falar aqui com este Orelhão velho e ultrapassado, mas que sente tantas saudades de vocês! 


(*) Nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. 


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