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Maceió/Al, 21 de abril de 2021

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08/03/2021 às 13:26

Crônica: Prometo que vou parar!

Rodrigo Alves de Carvalho (*)

Numa noite tenebrosa de raios e trovões, Joviano estava sossegadamente no sofá da sala assistindo Jornal Nacional e fumado um cigarrinho de boa. 

Eis que na escuridão da cozinha surge a Morte flutuando até a sala vestida com seu manto e capuz negro segurando a foice macabra. Joviano quase morre de susto ao perceber a presença da Morte. 

- Quem é você? Como entrou aqui? 

- Eu sou a Morte e vim te buscar Joviano. 

- Mas por quê? Ainda sou tão novo, tenho tantas coisas para fazer! 

- Ora Joviano, você fuma igual a um condenado. Fumou tanto na vida que seu pulmão não aguenta mais e agora é hora de você morrer! 

- Mas agora que estou prestes a parar de fumar! 

- É justamente por isso que você vai morrer Joviano. Sempre adiando sua parada com o cigarro. Você sempre promete, mas nunca cumpre. 

- Não é bem assim dona Morte. Eu sempre tive convicção em parar de fumar, mas precisava que as condições fossem ideais para isso. 

- E com isso você sempre postergou o fim do cigarro. Se lembra quando disse que iria parar de fumar assim que arrumasse um emprego? Pois bem, você ficou seis meses procurando emprego e fumando sem parar, até que finalmente começou a trabalhar, mas não parou de fumar. 

- Desculpa Morte, mas eu não parei naquele momento porque trabalhava à noite e quando mudasse o turno para o dia iria parar. 

- Justamente. Quatro meses depois mudou de turno e continuou fumando. 

- Mas aí eu precisava resolver a questão de arrumar outra casa para alugar. 

- Exato Joviano! Quase um ano até alugar outra casa e o cigarro continuou. 

- Pois tinha a questão do carro que eu queria comprar. 

- Demorou dois anos até comprar o carro e neste tempo fumou sem parar. 

- Está certo, porém nessa época perdi o emprego e teria que arrumar outro... 

- Joviano, Joviano! Não percebe que você vem adiando sua decisão em parar de fumar definitivamente a cada objetivo que coloca em sua vida e cada vez mais coloca outros objetivos, entretanto, o objetivo principal que é parar de fumar você não consegue alcançar? 

- Desculpa Morte. Prometo que vou parar, me dá uma chance. Te suplico! 

A Morte coçou o queixo: 

- Está bem! Se você parar de fumar agora, não te levarei! 

Joviano abriu um sorrisão, entretanto fez uma proposta meio sem jeito: 

- Dona Morte, vamos fazer o seguinte, eu acabei de comprar um maço de cigarro e ele está cheinho. Quando acabar esse maço vou parar de fumar para sempre! 

- Descanse em Paz Joviano!!! 


(*) Nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. 

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