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Maceió/Al, 21 de abril de 2021

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22/03/2021 às 16:43

Crônica: A Grande Guerra Geométrica

Por Rodrigo Alves de Carvalho (*)

“Após fortes desavenças sinuosas, as relações entre os reinos dos Círculos e Quadrados entortaram de vez. Cada forma reivindicava a si o título de mais importante de todos os reinos da Terra. 

Os Quadrados alegavam que eram as formas mais consistentes, permitindo encaixes duradouros, diziam que quatro lados permitiam mais equilíbrio e que até as rodas já foram quadradas na idade da pedra. 

Já os Círculos estavam cientes de sua importância quando justificavam que a Terra por si só era redonda e que formas arredondadas permitam mais fluidez e constância. Por isso os Círculos se diziam mais importantes nas redondas engrenagens universais. 

Essa discussão foi se acirrando até que se tornou uma guerra no campo da geometria. 

Os Círculos atacavam com pesadas balas redondas atiradas por canhões giratórios.  

Do outro lado, os Quadrados jogavam enormes dados que esmagavam tudo pela frente em cada lado numerado. 

Muitos Círculos menores de idade foram convocados para a guerra e suas mães redondas choravam pequenos prantos circulares quando os filhos partiam para o confronto. 

Em contrapartida cubos mágicos mudavam de cor confundindo o inimigo e conquistando mais território para o grande exército quadrangular. 

A guerra estava no auge e mais combatentes caiam nessa sandice sem fim. 

Contudo, o exército circular tinha a vantagem de ser mais rápido, pois podiam rolar pelo campo inimigo e atacavam de surpresa. 

Com a eminência de um fracasso militar, o general quadrado pede reforço ao temível exército triangular que até então estava neutro no conflito. 

A partir de então já era. Com soldados triângulos e pontiagudos o inimigo redondo não tinha outra escapatória, senão a morte... 

Foi então que os dois comandantes supremos da geometria decidiram conversar para chegarem a um acordo de paz. 

A negociação durou dois dias e felizmente a paz foi proclamada. 

Enfim, o sol redondo voltou a brilhar e todas as formas geométricas puderam viver felizes novamente, graças aos grandes esforços dos comandantes Régua e Compasso que chegaram a ganhar o Nobel da Paz”...  

O garoto bocejou, apanhou seu caderno e foi até a mesinha em seu quarto: 

- Está bem mãe! Eu vou fazer meu dever de casa. Mas não é com essas historinhas ridículas que a senhora vai me fazer gostar de geometria... 


(*) Nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores.

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