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Maceió/Al, 16 de junho de 2021

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26/04/2021 às 18:12

Crônica: Casal de matutos na praia

Rodrigo Alves de Carvalho (*)

Antônio e Jurema tiveram dois filhos e os criaram na simplicidade da vidinha que levavam na roça. Durante toda vida de casados, e isso já eram trinta e cinco anos, Antônio e Jurema nunca fizeram longas viagens, a não ser duas vezes que foram em excursão para Aparecida do Norte. 

Antônio estava se gabando naquela tarde no boteco do Rosalino. 

- Esse fim de semana vou pra praia! 

Os companheiros de copo, que assim como Antônio nunca haviam estado numa praia, caçoavam. 

- Toma cuidado Tonho, esses lugares estão cheios de tubarões. 

- E eu tenho medo de tubarão? Se fizer graça frito o bicho ali mesmo! 

Finalmente chegou o dia da viagem e o casal de matutos seguiram juntamente com o filho mais novo e a nora para o encontro com o mar. 

- Olha Jurema que mundão de água! Deve ter um monte de peixe aí dentro! 

Antônio vestindo um bermudão Tactel marrom observava fascinado o mar, enquanto Jurema dentro de um maiô florido comprado pela nora olhava encabulada para as outras pessoas. 

- Tonho, tá todo mundo olhando pra mim. Estou morrendo de vergonha! 

- Ah Jurema olha! Tem um monte de mulher que nem você aqui. 

- Tô com vergonha das minhas pernas brancas e desse meu barrigão! 

- Para de ser boba mulher, por isso mesmo que ninguém vai ficar olhando ocê! 

Jurema ficou irritada, mas não teve tempo de xingar Antônio que corria em direção ao mar. Para não ficar sozinha na areia, ela correu atrás do marido. 

- Olha jurema! É rasinho. - Antônio foi entrando cada vez mais para dentro do mar, enquanto Jurema apenas molhava os pés na espuma das marolas. 

Antônio estava com a água na altura do peito quando uma onda repentina o encobriu e ele foi jogado para o fundo. Jurema desesperada gritava pelo marido. Pessoas se aproximaram. 

Alguns segundos depois Antônio aparece cambaleando e tossindo. Ao sair da água sentou na areia e ficou tossindo com ânsia de vômito, deve ter tomado mais de um litro de água salgada. Depois desse incidente, Antônio não entrou mais na água e acabou os outros dois dias de praia ao lado de Jurema, sentados na areia debaixo de um guarda-sol. 

Ao retornarem para o interior foi ao boteco do Rosalino contar as novidades e tomar cachaça. Os amigos já sabiam do acontecido e não perdoavam. 

- Ficamos sabendo que você quase morreu afogado. Bebeu um mundo de água e depois disso não saiu de perto da Jurema! 

Antônio não se deixava abater. 

- Eu bebi água pra ver se era salgada mesmo e fiquei perto da Jurema porque tinha uns caboclos mal intencionados olhando pras pernas dela! 


(*) Nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta possui diversos prêmios literários em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas. Em 2018 lançou seu primeiro livro individual intitulado “Contos Colhidos” pela editora Clube de Autores. 

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