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16/12/2021 às 22:16

Neabi Sertão participa de solenidade de certificação de comunidade quilombola

O encontro foi realizado no domingo (12), na comunidade Sítio Rolas, em Pariconha O encontro foi realizado no domingo (12), na comunidade Sítio Rolas, em Pariconha

Por Lenilda Luna - jornalista

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) do Campus do Sertão, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), foi representado pelo coordenador, professor Vagner Bijagó, e pelo vice-coordenador, professor Flávio Moraes, em atividade realizada no último domingo (12), na comunidade quilombola Sítio Rolas, na zona rural do município de Pariconha (AL). 

O encontro também contou com uma palestra realizada pelo professor de Filosofia e doutorando em Educação da Ufal, José Bezerra, que é presidente do Instituto Vozes Quilombolas, uma organização que incentiva jovens de comunidades quilombolas a se prepararem para o ensino superior. José Bezerra é pesquisador dos quilombos de Alagoas, com trabalhos na área de Educação Ambiental e ensino-aprendizagem. 

Segundo o professor Flávio Moraes, é fundamental que a Universidade acompanhe e contribua com as conquistas das comunidades quilombolas e indígenas. “Estamos sempre atentos aos convites da comunidade, porque essa aproximação nos permite conhecer melhor a realidade local e identificar as demandas nas quais a Ufal pode contribuir”, ressaltou o vice-coordenador do Neabi. 

O ponto alto do encontro foi a certificação do Sítio Rolas como comunidade quilombola. “Este reconhecimento é fundamental para o resgate da identidade étnica de comunidades de origem afro- brasileiras. O líder da luta pela independência de Guiné Bissau e Cabo Verde, Amilca Cabral, já destacava o conceito de reafricanização, que é a retomada da identidade cultural dilacerada pela colonização”, contextualizou Vagner Bijagó, coordenador do Neabi. 

O coordenador destaca que o mesmo processo identitário defendido na África, também foi proposto pelo pesquisador e ativista dos Direitos Civis das populações negras, Abdias do Nascimento. “É a noção de quilombismo para reafirmar as raízes, um caminho de volta em busca das identidades esfaceladas pela escravização dos povos de origem africana que foram trazidos para o Brasil”, explica Bijagó. 

Vagner Bijagó ressalta ainda que o Neabi Ufal tem estabelecido uma relação profícua com as comunidades quilombolas do entorno do Campus do Sertão. “No ano passado, realizamos o primeiro simpósio afrobrasileiro com a participação de  várias comunidades quilombolas, inclusive a do Sítio Rolas, de Pariconha. É importante frisar que o líder dessa comunidade é estudante de História do nosso campus e participou ativamente da luta política que conquistou a certificação de comunidade quilombola”, relata Bijagó. 

O estudante citado por Bijagó é Jaelson Florêncio dos Santos. Ele cursa o 8º período de  História. “Todos os anos, a nossa comunidade do Sítio Rolas realiza essa celebração das nossas raízes afro culturais e religiosas. Neste ano, foi muito importante contar com as presenças dos professores representantes do Neabi. Como representante da comunidade quilombola quero contribuir para que a academia possa fazer esse resgate”, disse Jaelson. 

O coordenador do Neabi considera que a certificação de Comunidade Quilombola vai permitir aos moradores do Sítio Rolas o reconhecimento de direitos fundamentais, como o direito à terra que ocupam, com proteção legal. “A Ufal vai contribuir com a pesquisa etno-histórica, que é necessária para a aquisição da identidade quilombola, já que séculos de colonização foram despindo as comunidades afro-brasileiras de sua subjetividade”, ressalta Bijagó. 

Como parte deste reconhecimento, o prefeito de Pariconha, António Telmo Noia, conhecido por Tony de Campinhos, esteve presente  na solenidade e entregou aos representantes da comunidade do Sítio Rolas os títulos de outorga, que garantem o uso gratuito de águas do Canal do Sertão para irrigação da agricultura familiar, até 2023. 

O encontro foi encerrado com apresentações culturais e com a degustação de uma comida típica, o munguzá salgado, uma receita à base de milho, de origem africana, que faz parte da alimentação das comunidades quilombolas em várias regiões do Brasil.

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