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Maceió/Al, 20 de maio de 2022

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24/04/2022 às 15:12

Além do anexo Tânia Pedrosa, MTB busca restaurar prédio histórico

Por Jacqueline Batista

Ao apresentarem a proposta do “Complexo Novo Théo Brandão” ao governador Kléver Loureiro, o reitor da Universidade Federal de Alagoas, Josealdo Tonholo, e o diretor do Museu, Victor Sarmento, destacaram a necessidade de restauração do prédio histórico, localizado na Praia da Avenida, ao lado do terreno onde será instalado o anexo Tânia Pedrosa. A ideia é restaurar o Museu Théo Brandão, ampliar o espaço e renovar o projeto expográfico.

A proposta de cooperação técnica para o novo complexo foi apresentada na segunda-feira (18) ao governador e ao secretário do Gabinete Civil, Fábio Farias. Nela, os gestores da Ufal mostraram a necessidade de restauração do prédio histórico que abriga o MTB, que tem parte da estrutura fragilizada por causa da maresia.

Para a atual realidade do prédio histórico, o primeiro passo foi dado no ano passado com a finalização do projeto arquitetônico. Quem assina o projeto é a arquiteta restauradora e professora da Faculdade de Arquitetura da Ufal, Adriana Duarte, e a arquiteta do MTB, Cynthia Forte.

Cynthia afirma que o projeto, aprovado pelo Pró-Memória [Diretoria da Secretaria de Estado da Cultura], seguiu os manuais do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e todas as normas técnicas vigentes. “A proposta buscou garantir as condições físicas adequadas para o correto funcionamento dos espaços museológicos, administrativos e de serviços gerais, com destaque para a norma de acessibilidade”, explicou a arquiteta.

A professora Adriana disse que vários serviços restaurativos foram propostos com base em documentos históricos, como a restauração das esquadrias e ladrilhos hidráulicos de todo o prédio e a prospecção das colunas adossadas das varandas da cúpula, em busca de pinturas artísticas. As soluções espaciais tiveram ponto central na reorganização do Setor de Museologia e na realocação dos ambientes das reservas técnicas e da Biblioteca para espaços com condições mais favoráveis à conservação do acervo. “A proposta é reposicionar o MTB como equipamento cultural da Ufal e a serviço da sociedade alagoana. Pensa-se não somente o edifício em si como patrimônio arquitetônico, mas o envoltório que guarda o precioso acervo do folclorista Theotônio Brandão Vilela”, salientou.

A intenção da proposta é também ampliar o espaço do Museu, um sonho antigo dos servidores. Com esse objetivo, Cynthia e a arquiteta e professora da Ufal, Thaisa Sampaio, desenvolveram um projeto para o anexo que será construído no terreno ao lado do MTB.

Nesse espaço, haverá novos ambientes museológicos. A ideia é que no anexo “Tânia Pedrosa” tenha uma exposição permanente da artista e colecionadora de arte homônima, reserva técnica do Museu, ateliê para artistas populares, entre outros ambientes. De acordo com a professora Thaisa, o anexo foi pensado para ter mais espaço e de melhor qualidade para abrigar as atividades do MTB como a manutenção e o tratamento do acervo. “Vão ter dois pavimentos para abrigar muito melhor a parte de museologia, ter novo espaço para exposições temporárias, para a pós-graduação, uma nova biblioteca, um espaço específico para uma exposição permanente com peças da Tânia Maya Pedrosa, laboratório para manutenção do acervo, tanto tridimensional quanto o sonoro e documental, além de um auditório maior que o atual, preparado para videoconferências e exibição de filmes”, detalhou.

Com relação à aparência externa do anexo, Thaisa disse que o novo prédio foi concebido para ter uma arquitetura contemporânea e deixar a edificação antiga com mais visibilidade. Ainda assim, alguns detalhes fazem referência às tradições locais. “A fachada tem elementos que remetem à cultura alagoana. Por exemplo, as janelas têm um desenho mais inspirado nos vidrilhos do chapéu de Guerreiro, as texturas foram pensadas em ter as cores da terra, nos tons de marrom e ocre. A ideia também é manter uma proporção de tamanhos de pavimentos bem parecidos com o prédio original. No térreo, a conexão com o prédio antigo será com uma praça de convivência ao longo de toda lateral do edifício. Haverá também conexões entre os prédios nos pisos superiores”, explicou a arquiteta.

Hildênia Oliveira, museóloga do MTB, disse que o impacto social do anexo é muito grande porque o novo prédio será um espaço expositivo, que vai divulgar, tratar e expor a cultura alagoana por meio da visão da colecionadora e artista Tânia Pedrosa. “O espaço de tratamento incluirá outros acervos do Museu, já que a reserva técnica ficará no anexo. Teremos ambiente adequado para armazenamento desse precioso acervo”, destacou.

Corredor Cultural

Além disso, a museóloga salienta que existe um ganho estético, principalmente no âmbito turístico. “A Praça Sinimbu está se tornando um corredor cultural, tendo o Museu Théo Brandão um ambiente privilegiado desse novo espaço. O anexo do MTB passará a ser referência para a cidade de Maceió, juntamente com o Museu Théo Brandão, que já é um ícone para a cultura alagoana”, disse Hildênia.

O diretor do MTB explica que, além do envolvimento das arquitetas no projeto, existe a parceria dos grupos de pesquisa “Representações do lugar”(Relu) e “Interseções entre Design e Ambiente Construído”(Idea), da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Ufal. “Esse projeto envolveu muita gente. É uma união de forças entre o Museu e esses grupos de pesquisa”, salientou Victor Sarmento.

A expectativa é que a assinatura do Termo de Cooperação e da parceria entre as instituições ocorra ainda este mês. Sarmento considera que o acordo firmado entre as instituições é um momento decisivo no desenvolvimento desse projeto. “Esse foi mais um passo importante no caminho do renascimento do Museu Théo Brandão, com a ampliação da área física, da capacidade de receber acervos e de atender melhor o visitante e o amante da cultura popular alagoana. Iremos assinar a parceria com o Governo de Alagoas, montaremos uma equipe mista de trabalho. Em breve, esperamos entregar o ‘Complexo Novo Museu Théo Brandão’, estreitando os laços institucionais entre a Universidade e o Governo de Alagoas”, destacou.


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