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Maceió/Al, 04 de abril de 2025

Colunistas

Arnóbio Cavalcanti Arnóbio Cavalcanti
Doutor em Economia pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, HHESS, França. Professor da Universidade Federal de Alagoas com linhas de pesquisa em Finanças Públicas, Economia do Setor Público, Macroeconometria e Desenvolvimento Regional.
03/04/2025 às 13:39

O “tarifaço” de Trump e seus reflexos na economia brasileira: as políticas de substituições das importações estão de “volta”?

A política de substituição das importações

Por cerca de 5 décadas, o Brasil perseguiu a política de substituição das importações (PSI), que consistia em proteger a indústria nacional, mediante a mudança da sua matriz produtiva, saindo da dependência do setor cafeeiro para desenvolver o setor industrial. Essa estratégia foi iniciada na Era Vargas.

Historicamente, esse modelo foi desenvolvido no século XIX pelo economista alemão Friedrich List, como parte de uma estratégia para proteger as empresas nacionais em relação às empresas de países estrangeiros. Foi utilizado no Japão durante a era Meiji. A Argentina também recorreu a esse tipo de desenvolvimento, sendo o Brasil o único país a concluir o processo com sucesso.

De fato, essa forma de industrialização envolve, inicialmente, elevar as barreiras alfandegárias para reduzir as importações. Através desse mecanismo, o país potencializa sua produção industrial por meio da instalação de pequenas e médias produções. Nasce, assim, um parque industrial consolidado no país. Por fim, promove-se a redução gradual das barreiras tarifárias, até que a produtividade das empresas locais seja compatível com a das empresas estrangeiras. Como se observa, a mola propulsora desse modelo é o protecionismo alfandegário.

Como consequência, o período entre 1930 e 1980 foi marcado por um acelerado crescimento da industrialização no Brasil, conhecido como a política de substituição das importações. O Brasil migrou de um país predominantemente rural para um país urbano, registrando o terceiro maior crescimento industrial do mundo.

Vale ressaltar que, embora esse modelo tenha obtido resultados exitosos no país, ele começou a demonstrar sinais de esgotamento no final dos anos 1980. A partir desse período, o Brasil passou a enfrentar uma dependência de bens de capital importados, uma balança comercial continuamente deficitária e níveis de inflação muito altos. Em face desses elementos, a economia brasileira tornou-se fechada e de baixa competitividade.

Entender o “tarifaço” de Trump

O segundo governo de Donald Trump está sendo marcado por bancar a maior mudança nas regras de “comércio internacional” desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Apesar de defender o “liberalismo” como doutrina econômica, a equipe econômica de Trump parece entender que o capitalismo de “Estado” fala mais alto do que o princípio liberal do “livre-comércio”. A nova doutrina “trompista” reconhece que os mais de 30 anos de doutrina liberal fizeram com que o comércio aberto dos EUA perdesse emprego e renda para China, Índia, Europa, México, Canadá e Brasil, entre outros. Para os EUA, quem mais se beneficiou com o “livre-comércio” não foram os EUA, mas, sim, o mundo.

Em vista disso, os EUA não querem mais respeitar os acordos firmados na Organização Mundial do Comércio. De fato, eles passam a adotar práticas protecionistas, com o intuito de igualar as tarifas americanas às tarifas impostas pelos outros países. Para se ter uma ideia, os EUA cobram uma tarifa média de 2% para os produtos brasileiros, enquanto o Brasil é hoje uma das economias mais protecionistas do G20.

Reação ao tarifaço de 10% para todos os produtos brasileiros

A reação do tarifaço global de Trump de 10% para os produtos de importação brasileiros cria dois cenários. Uma maneira de enfrentar essa situação é retaliar com protecionismo, elevando ainda mais as tarifas práticas atualmente. No dia anterior ao anúncio de Trump, o Congresso Nacional deu sinal verde ao governo para proceder a esse feito. Um outro cenário possível seria o país passar a negociar com os Estados Unidos a redução da tarifa média brasileira, buscar ganhos de produtividade e se abrir mais ao comércio internacional. Para você, qual será a melhor saída para o Brasil?

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