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Maceió/Al, 27 de junho de 2022

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Roberto Boroni Roberto Boroni
Jornalista de formação e que tem a crônica esportiva no coração. Ex-assessor de comunicação do CRB, Vivi de perto a Série B para saber que ela pode ser tudo, menos fácil!
21/06/2022 às 06:35

Entre um português e outro, Flamengo descobre que futebol brasileiro não é para amadores

Foto: Reprodução Internet Foto: Reprodução Internet

E tem detalhes da nossa história que não tem jeito, de uma forma ou de outra, os portugueses influenciam no descobrimento das coisas. Com uma boa pitada de ironia, e um belo fundo de verdade, o que estamos vendo acontecer no clube mais popular do Brasil é de se parar para pensar: Como pode um time com tantas valências fora dos campos, dentro dele está parecendo um bando correndo?

Sem querer descobrir a pólvora ou ser mais realista que o rei, o que dá para ousar afirmar é que entre o português Jorge Jesus e o Português Paulo Sousa, todos nós estamos acompanhando de perto o que a “brasilidade” pode fazer com o futebol brasileiro.

Quando Jorge Jesus teve o ano mágico no Flamengo, em 2019, muitos me perguntavam se seria uma dinastia, se alguém poderia brigar com o clube carioca? Eu sempre respondia, nenhum clube dura muito no topo aqui, nenhum deles resisti a brasilidade, uma característica nossa que com o passar do tempo, principalmente quando aplicada a nossa cultura esportiva, ela só melhora (Piora*).

Eu não sou sociólogo, portanto não querer parecer ter a pretensão de conhecer o brasileiro e seus estilos com propriedade de um especialista. Mas, quando penso em futebol, vejo logo um grupo de pessoas que nunca está feliz. Ou o torcedor tá revoltado querendo demitir, bater, xingar e cancelar alguém, ou ele está eufórico, distante da realidade e com uma missão apenas em sua mente: como provocar o meu rival, pessoalmente ou nas mídias sociais? O brasileiro curte a vitória em cima do rival, nunca com os seus, com sua torcida.

É o jeito brasileiro de ser, seja assim no futebol, no entretenimento, nos videogames, na política ou na religião. Ser o lado contrário indica que você será o primeiro alvo da lembrança de muitos, e você não se esquecerá deles e a roda gira sempre nesse mesmo eixo. Resumo, a gente não curte mais futebol, a gente curte a vitória.

E essa prática passa do futebol para os outros esportes. O brasileiro não valoriza nada que seja topo de ranking ou que valha uma medalha. Recomendo sempre a entrevista do uruguaio Diego Lugano ao Flow Sport Club, onde ele fala não entender nossa relação com a Seleção Brasileira!? Porque tanto ódio, tanto desgosto e revolta com uma seleção que eleva o nome do nosso País como poucos produtos. A verdade Lugano, é que não sabemos perder, misturamos cartolagem com paixão e colocamos tudo no mesmo pacote. É aquela velha frase “eu não torço para a seleção desses cartolas”. Eu respeito toda e qualquer opinião, mas minha relação com a Seleção é inabalável, torço por ela ainda como criança, não vou deixar ninguém estragar minha relação com o futebol, apesar de tudo errado que possa acontecer com ele.

Então, voltando para o Flamengo, seu torcedor se acostumou a ganhar e a ganhar de forma até acima da média. Jorge Jesus tem mais títulos que derrotas, é algo fora da curva! Desde sua saída, o Flamengo não sabe perder mais que cinco vezes, se for algumas em seguida então, aí sem chance. “Isso aqui é Flamengo” e etc e tal. Vários projetos de trabalho foram interrompidos e jogados no lixo, jogadores envelheceram e a roda do futebol girou como sempre girou. Mas, entre um português e outro, só querem ver o recheio lusitano, não o tempero brasileiro.

E aí vemos um baita elenco, com um clube super estruturado, faturando na casa do bilhão, entrando em campo sem confiança, com seus influencers digitais provocando o apocalipse a cada jogo, com nossa imprensa comprando o barulho de mídias sociais (É muito comentário para ganhar clique e enquete para ganhar like) e ao invés de querer formar opinião, se rendem a força de uma massa enfurecida, ou eufórica, a cada semana.

A verdade é que o Flamengo de hoje poderia ser o Palmeiras, Abel Ferreira não foi demitido por um triz. E hoje poderia ser o palmeiras buscando o seu novo português . Único clube com um treinador há mais de um ano no cargo é Maurício Barbieri (aquele que não servia para o CSA), que só não caiu porque com todo respeito, o Bragantino não tem torcida para fazer barulho nas mídias sociais.

Entre um português e outro a diretoria do Flamengo saiu de genial para amadora. Entre um português e outro a pessoas sentiam orgulho do clube, hoje dizem passar vergonha nas mídias sociais (um clube que nos últimos três anos ganhou uma Libertadores e dois Brasileiros).

Entre um português e outro a gente fica sem saber explicar o que não está dando certo: Pedro é titular? Arão não serve mais? Os veteranos mandam no clube? Faltam zagueiros? Time de barriga cheia? Tudo um pouco verdade e um pouco mentira. O real nisso tudo é que, por exemplo, o Rogério Ceni, campeão brasileiro, poderia estar no clube até hoje, mas entre um português e outro é difícil!

E entre um português e outro chegou um brasileiro. Se ele der certo, olha aí, para que estrangeiro? Se der errado, não tenham dúvidas de que o Flamengo só um europeu irá resolver!

De Jorge Jesus a Paulo Sousa são muitas lições. Vamos aprender alguma? Acho que não meus nobres, vamos seguir amando a vitória e zoação como nunca, Tite só fará um grande trabalho se ganhar a Copa (senão foi tudo desorganizado e bagunçado) e nossa relação com o futebol seguirá indo de ladeira a baixo, não importa quantos portugueses o Flamengo trará, pois isso aqui é Brasil!

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